domingo, 6 de janeiro de 2013

Bisbilhotice vs Maldicência

   Deixem-se de tretas: qualquer um de nós, por mais elevados sentimentos que tenha, aprecia, mais, pela-se por uma boa cusquice e se houver pormenores sórdidos com assuntos de cama à mistura, melhor! E a piada toda é que o boato, a história, os pormenores vão sempre crescendo,  refinam-se, os detalhes aprimoram-se, sempre que passa por mais um receptor, a história enriquece com um pormenor de inteira responsabilidade do emissor! E há tanta gente criativa, tão mal aproveitada. Quando alguém cusca, bisbilhota, ou agarra na bisbilhotice que ouviu, torna quase sua aquela vida, apodera-se dela e renova-se um pouco. Cusca-se para afastar a solidão, o mundo doi nós nele sozinhos, bisbilhotarmos a vida dos outros aproxima-nos, aquece o vazio do espaço que nos separa dos outros. 
   Dizer mal é mais refinado, mais requintado, menos inocente! 

   Quando nos zangamos com os amigos, quando entramos em bate-bocas com quem nos quer bem, normalmente ninguém se entende nos argumentos, somos irrazoáveis, pouco racionais, gritamos muito e argumentamos com muito pouca qualidade. Eu sou assim! Quase irracional! Pouco me separa, nesses momentos de uma mãe chimpanzé! Se espremer bem o que disse após uma discussão acesa em que se ouve pouco e se raciocina menos ainda, está seco, o sumo da discórdia perdeu-se algures ainda no início da refrega.

   É um pouco a diferença entre a bisbilhotice e a maledicência, bisbilhotamos com carinho, falamos mal por ódio. Bisbilhotamos com o coração, maldizemos com a cabeça, cuscamos em busca do sentido de grupo, odiamos com a perspectiva de induzirmos a cisão do grupo. Bisbilhotamos de forma atabalhoada, maldizemos sabendo bem que cordas tocar a fim de criar o maior desafino.




 Conhecem aquela pessoa que, quando se proporciona, diz a quem queira ouvir "sou extremamente orgulhosa...ou teimosa...ou impaciente...ou..."  whatever e o diz com um certo ar ufano de quem acaba de dizer algo muito cool?! Pois é, parece que é muito honesto assumirmos os nossos defeitos e fazermos actos de contrição periódicos, de preferência com muita gente a ouvir para termos testemunhas suficientes que atestem a nossa humildade! Nunca ninguém diz, " sou inteligente, boa, confiável, sensata, perseverante e por aí fora porque nesse caso seriamos todos rotulados de vaidosos, petulantes, com falta de humildade! Ou seja, falar dos defeitos é encorajado e quem os assume aos berros leva palmadinhas nas costas (mesmo que toda a sua vida  o seja e não faça nada para o mudar); se somos francos e achamos que somos o máximo, olha porque sim, porque gostamos de nós e apetece-nos afirmar ao vento que vivemos de bem connosco... prontos, estamos a ser pomposos, vaidosos, narcisistas. É de louvar mostrar que somos humanos e como tal falhos de qualidades, elevarmos as nossas qualidades faz de nós seres imperfeitos.


  E que dizer  daqueles amigos que hoje estão mas amanhã nem por isso, aqueles amigos que mudam de amigos com mais rapidez do que eu como um gelado, daqueles seres que têm uma capacidade supersónica para se insinuarem nos outros, normalmente com excelentes resultados mas quando menos se espera já lá não estão porque  já se estão a insinuar junto de outros amigos e aquele amigo do peito, tão próximo e presente, num ápice já não nos liga nenhum, não nos telefona, deixou de querer sair connosco. À noite, já não nos faz confidências, porque a outro incumbiu entretanto essa responsabilidade! São os amigos sazonais, amigos de ocasião!E há tantos! Esses amigos deixam-nos um espaço que se irá preencher com o tempo mas enquanto tal não sucede, é como se nos sentíssemos puxados para um vácuo que nos suga e nos deixa vazios. Até que crescemos novamente e esse espaço se preenche novamente e invariavelmente nos perguntamos: como foi possível?!









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