segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sissi

   Semana horrível! O Murphy apareceu na sua pior disposição: matou-me a gata mais querida cá de casa, deixou-me roída de remorsos do que poderia ter feito para a salvar e não fiz, uma tristeza generalizada que alastrou até para a gata mais antipática... os miúdos a suspirar pelos cantos, o mais velho na ignorância do acontecido (até ontem que não tive forma de lhe mentir... para ele foi como se o mundo tivesse desabado, que faceta melodramática que, no entanto, entendo bem demais!).
   Primeira coisa a fazer: desactivar temporariamente o facebook, se não entenderem qual a relação também não vos vou explicar porque, francamente não interessa; foi o que me apeteceu na altura, mandar o facebook às urtigas; e foi e está a ir e a sensação é boa! Mais tempo para cavar, mais tempo para pequenas arrumações cá em casa, se falta o que fazer inventa-se, mais tempo para não fazer nada ou um nada de qualidade, já que no facebook faz-se nada mas de uma forma estupidificadora!

  Hoje, cansada de chorar a gata que morreu decidi que tinha rapidamente que resolver a situação, não tenho espírito nem vida para obsessões e Deus sabe como esse é um dos meus inúmeros defeitos; a obsessão pela morte da gata, a lembrança pormenorizada de todos os pequenos detalhes, a agonia da pequenina e a angústia em que me deixam todos estes pensamentos não é possível de alimentar mais tempo... assim resolvi arranjar uma gata, suficientemente parecida com a outra mas suficientemente diferente para que não se esqueça a primeira: parecida no temperamento, diferente no aspecto; decisão tomada, há poucas coisas que me fazem parar e não achei nenhum motivo para não ir em frente nesta minha intenção: a Associação dos Amigos dos Animais da Ilha Terceira era o local a visitar, queria uma gata e uma gata meiga, dócil, sem receio dos humanos. E encontrei! Na primeira casotinha dos gatos, a Sissi surgiu, magrinha de quatro meses sem nenhum tipo de receio, dos humanos ou dos cães que ladravam ali perto; dócil, extremamente calma, adaptou-se ao nosso colo e ali ficou decidido imediatamente o seu destino; não era necessário procurar mais! Veio absolutamente senhora da situação para junto de nós, no veterinário ronronou até nas duas injecções que levou, pareceu ter-nos adoptado imediatamente. A adaptação à casa está a fazer-se como mostram as fotos!





quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Lili




   São duas horas da manhã e a Lili, a gata pequena cá de casa, "o bicho rabudo com chifres" como diz a minha mãe, acabou de morrer! Uma das janelas do sotão ficou aberta, ela saltou para o telhado, caiu e os cães terminaram!

   Como é que uma coisinha tão pequenina que viveu connosco tão pouco tempo pode fazer tanta falta numa casa? Doce e tranquila Lili!

   O Gui passou o dia a exclamar " Mãe, ainda não acredito que a pequena (como nós a tratavamos) morreu! Tens a certeza?! " Como é possível num dia estar connosco e de repente já não estar?!" Chorou q.b, muito menos que eu, que passei a noite e o dia a chorar pela pequena ( não era um gato qualquer, bolas, era o meu gato e quero lá saber que achem tal facto ridículo!!) Só quem nunca viveu rodeado de animais por gosto ou tradição familiar é que pode pensar ser suave a  dor pela morte de um bichinho nosso, que viveu perto de nós, que dormia aos nossos pés ou quando mais atrevida se deitava a 20 cm da minha cara e por vezes me fazia cócegas no nariz com a sua cauda farfalhuda!
   O Vasco foi mais lacónico na manifestação da sua tristeza mas nem por isso menor: dos três irmãos é aquele com mais capacidade para tratar dos bichos, tem um toque mais natural, jeito mesmo! Se se mantiver o que pretende a ideia é ser veterinário.

   Pensando na aflição do Gui sobre a sua incredulidade em relação à morte da pequena e porque eles fizeram muitas perguntas sobre o local onde estava enterrada e se os cães a iriam desenterrar e se tinha a certeza (o Vasco) se ela estava morta, não fosse sufocar... Lá lhe dei algumas explicações sobre a transformação do corpo na passagem para a morte. Eles é que quiseram as flores, e a cruz em madeira, o Gui tratou de lhe fazer um desenho! Não me parece nada mal eles terem feito o funeral à pequena, muito pelo contrário, estão mais do que na altura de começar a conviver com a sua mortalidade e dos que os rodeiam, humanos ou não humanos.

   A partir de hoje, a buganvilia passou a chamar-se a Buganvilia da Lili.



  

   

   

   

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Um simples sorriso!

   Ando com uma enorme falta de paciência  para mesquinhices e merdices! Fartinha daquelas pessoinhas que parece que existem meramente para nos lixar a vida ou pelo menos para a tornar menos tranquila. Um exemplo: sabem aquele gesto de impaciência que os polícias fazem quando, no meio do trânsito, nos mandam avançar e nos mandam andar mais rápido do que os nossos reflexos e o nosso jogo de pés permitem e se acaso não se é suficientemente rápido, nos brindam com uma apitadela colérica e mais um gesto de braço para nos mandar avançar e depressa?! Dantes cumpria obediente e evitava fitar o polícia cara a cara; hoje em dia faço-me de parva, ando devagarinho e se conseguir que o carro vá abaixo melhor; e não satisfeita em passando por ele ainda o olho desafiadora certa de ter conseguido uma pequena vitória! Um dia destes, baixo o vidro e arrisco de olhar angelical e sorriso encantador "senhor Polícia, um conselho, inspire fundo três vezes e conte até dez, comigo funciona sempre!"  , em pulgas para enfrentar a resposta!
Esses policias simpáticos que normalmente andam a fazer o seu serviço no início das manhãs à porta da minha escola fazem lá tanta falta como o Sr Silva  no Palácio de Belém,  e que não haja dúvidas, em matéria de trânsito quem manda são eles e mesmo que nós cooperemos, nunca é como eles querem; vejam:  parando na passadeira para deixar passar um miúdo que entretanto se aproximou da berma, levei com mais uma apitadela estridente nas orelhas porque quem manda passar, seja na passadeira ou não é ele... nessa ocasião lancei-lhe um olhar venenoso mas com o ar de bronco que tem não percebe modelações faciais do tipo subtil!
   Quem não sentiu já na pele atitudes de perversidade em funcionários de repartições públicas? Comportamentos altaneiros  e de algum desrespeito pelo  cidadão comum? Aproveitamento de algum ascendente mercê do seu contacto directo com o público para comportamentos de autoritarismo bacoco? Repartições de finanças, correios, bancos.... quando algum cidadão comum perde a sua prodigiosa paciência e se passa e fala e barafusta e perde a compostura que normalmente apresenta em locais públicos é ver todos os outros quase chocados com tamanha alteração da sua vidinha formatada e previsível. Normalmente ninguém vai em socorro de ninguém, podem concordar e concordam, tantos que acenam afirmativamente com a cabeça e iniciam diálogos com os vizinhos a quem relatam  as suas más experiências.   Não vos parece inacreditável como o português normalmente refila em voz baixa, perante a injustiça mas quando precisa de partir para a luta acobarda-se e hesita envergonhado? Quantas pessoas sendo ultrapassados sem pejo por um qualquer chico-esperto numa fila de uma qualquer repartição se insurgem e põem o prevaricador no seu lugar? Resmungos entre dentes são mais que muitos, na esperança que a mensagem chegue mas falar de viva voz, olhos nos olhos, tá quieto!

   Tenho uma certa incapacidade para cooperar borregamente com a autoridade, se não for com jeitinho! Gosto de gestos simpáticos e delicados! Sou extremamente permeável a gentilezas, com um sorriso conseguem tudo de mim, a grosseria gratuíta deixa-me ofendida e a injustiça da atitude atiça uma zona escura, muito escura algures nas profundezas do meu ser. O que gostaria mesmo era de ouvir o polícia da história exclamar "minha cara sra automobilizada(*), muito obrigado pela sua colaboração,  é através de exemplos como o da senhora que poderemos mudar mentalidades" ou o empregado das finanças me acolher com um sorriso franco e exclamar " Ora vamos lá a ver em que lhe poderemos ser úteis nesta maravilhosa manhã solarenga de 2ª feira!"  


Tão simples e contudo tão eficaz!


   






(*)uma palavra para a Associação de cidadãos automobilizados , uma entre as mais de quarenta mil associações de portugal com criatividade de nomenclatura  acima da média, só derrotada pela Associação Nacional de criadores de suínos de raças bizarras ou pela Associação Portuguesa de Photographia (assim mesmo!) 

domingo, 16 de outubro de 2011

Mavericks, enjoados e veteranos

   A minha escola actual tem alunos em barda e por inerência, professores em barda. Da selva instruída que é a sala de professores, convivem entre si e sem se misturarem, três tipos básicos de personagens: os mavericks, os enjoados e os veteranos.
    Os primeiros, caíram ali não se sabe de onde e ainda estão a tentar perceber como se levantarem: são os "abaixo de cão na cadeia alimentar", os da casta dos intocáveis do ensino, os miseráveis contratados! São os que têm os horários mais detestáveis, os cargos menos aliciantes. Topam-se à légua pela postura, normalmente jovens e de aparência demasiado séria! Muitas vezes afastados da família já andam nestas andanças pelos Açores há um bom par de anos; questionados sobre o seu percurso docente normalmente já passaram por S. Jorge, Flores e alguns mesmo pelo Ilhéu das Cabras. Vivem para trabalhar, são os que passam mais tempo na escola! São professores com poucos anos de ensino, vieram ao engano e agora não sabem como sair daí! Ainda não perderam a esperança basicamente porque nunca a tiveram, fazem parte daquele grupo que, tirando algumas excepções, não foi para o ensino por convicção mas porque é preciso comer. Apesar de se integrarem melhor junto de outros mavericks têm abertura de espírito para simpatizarem com os veteranos! 

   O segundo grupo pertence aos enjoados! Este grupo pressente-se à distância, antes de aparecerem já um desconforto se instala no local por onde estão prestes a passar; os enjoados não cumprimentam, a não ser outros enjoados com que se identificam e os professores dos órgãos de gestão - os chefes! Os enjoados são lambe-cus por natureza! Têm também um ar sério não por serem tristes mas porque estão sempre cheios de si próprios, uma espécie de auto-indigestão permanente.  Estranhamente, nesta escola em particular, a porção de enjoo é directamente proporcional à camada adiposa (onde se  comprova que a soberba engorda!) e também se nota uma  razoável preponderância no sexo feminino (talvez porque elas são muito mais?). Ao contrário dos mavericks que têm aquela postura medrosa quando qualquer pessoa lhes dirige  a palavra, os enjoados não temem coisa nenhuma, são orgulhosos, levam-se muito a sério e desprezam acima de tudo os veteranos!Secretamente, ambicionam ser um deles! Ignoram absolutamente os mavericks. 

   Os veteranos subdividem-se em relaxados e alienados. Os relaxados são de uma casta muito mais low profile, levam o ensino numa onda mais soft, já levaram muito no focinho e principalmente já estão para lá do desencanto! Perderam as suas grandes expectativas em mudar o mundo mas perseveram e continuam, rindo-se de si próprios! Têm estatuto para relaxarem, cultivam a irreverência (não deixa de ser interessante verificar que a irreverência perdida na juventude, aparece muito mais tarde entre os 40 e os 50!). É o grupo mais barulhento na sala de professores, as gargalhadas vindas do fundo da alma pertence-lhes; os mavericks são mais discretos nas suas manifestações de alegria até porque não têm grandes motivos para rir; os enjoados também mas por outro motivo: não sabem o que é rir; de tanto cultivarem um ar carrancudo perderam essa capacidade! Quando o fazem, assemelha-se mais a um grunhido do que a um gargalhar saudável!  


   Os relaxados estão-se completamente nas tintas para o que pensam deles os outros, principalmente os enjoados e os chefes! São protectores dos mavericks, muito por simpatia mas fundamentalmente por pena. Revêm-se nestes e naquilo que já foram!
   Finalmente existem os alienados, estes, em menor quantidade mas de lugar cativo em qualquer escola, são os que se passaram para o outro lado e nunca mais voltaram inteiros: vagueam por ali de olhar alucinado, são olhados com comiseração por todos. 
   São o retrato vivo do destino de tantos.


   

terça-feira, 11 de outubro de 2011

    Hoje foi um dia Não e inteiramente por minha única responsabilidade! Era de esperar que com a idade viesse alguma sabedoria ou pelo menos alguma cautela e cuidado na forma como se fala com as pessoas, aquelas que nos dizem algo e aquelas que nada nos dizem também! É difícil sendo uma cabeça dura interiorizar que nem sempre se dizem as "verdades" se a forma como as fazemos é descuidada e magoa. E hoje magoei uma pessoa que me é muito cara! E de nada adiantam os actos de contrição que surgem invariavelmente após a explosão insensata! Antes morder a língua e quase rebentar com a fúria das sensações que ameaçam extravasar, ficar roxa com o esforço de guardar o que tanto teima em sair, bater com toda a força com a  cabeça na parede quando a vontade de dizer o que nos vai na alma e na raiva é insuportável e precisa de rebentar porque, o que se tem depois é a dor incomensurável do arrependimento, da tristeza de se ter ofendido quem não merece ofensa e do que se perdeu!
   Parece que passo a minha vida nisto! Que grande merda!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

incapaz de intitular

    ( se não vierem de mente aberta, por favor retrocedam!)  


 Aquela teoria de que os homens pensam que mandam porque as mulheres os levam a pensar assim, enquanto elas, as verdadeiras urdideiras, nos bastidores vão tecendo as malhas da trama, não funciona para mim;  o que resultaria bem era ter um homem que me fizesse pensar que eu é que mandava enquanto ele, gentilmente e imperceptivelmente  me manobrava; não me importava nada de ser manobrada desde que, efectivamente eu levasse a minha avante em situações de tanta importância (não estou a usar de sarcasmo!) como "eu conduzo o carro" , " eu faço zapping", " eu escolho o filme" " eu tiro a rolha"! Quero mandar em todas essas coisas, caraças! Não quero ser a senhorinha que condescendente, de sorriso maternal, encolhe os ombros e fica na fila de trás de todos esses prazeres da vida: gozo verdadeiro para mim é fazer o que os homens tradicionalmente fazem e  fazê-lo bem : menos duas coisas, uma de impossibilidade anatómica e outra de impossibilidade sensitiva: primeiro,  não quero fazer chichi de pé,  não me traz vantagem nenhuma, muito pelo contrário nem me vou alongar mais sobre esta questão; segundo, não quero ir para a cama com uma mulher (hoje em dia também já essa questão deixa de ser assim tão linear sabendo nós que há homens e homens e dos dois - não sei se me fiz entender); afirmo que já ponderei essa possibilidade, numa época em que andei particularmente desagradada com o ser masculino, engendrei até alguns cenários potencialmente eróticos  para me poder sentir e claramente daí não surgiu nada de muito excitante!
   De resto quero fazer tudo o que os homens fazem, mais, tudo aquilo que os homens pensam que são eles que devem fazê-lo dá-me logo uma vontadinha enorme de ser eu a fazê-lo! Não sei porquê, palavra que não sei... os homens têm nomes para isso " exibicionista", "machona" a expressão magnífica, epíteto tantas vezes usado contra mim " armada em esperta"! E sabem que mais, posso fazê-lo!  A parte menos engraçada disto tudo é que não tem piada nenhuma fazê-lo se não tiver um homem a ver e a tolerá-lo... ou não.  E raros são os homens que toleram mulheres assim. Eu própria não me tolero e sou eu, quanto mais eles! Entendo perfeitamente os homens (e as mulheres) que gostam que os papeis estejam bem definidos, em que os comportamentos deles e delas sejam os comumente definidos para o seu sexo, é mais simples, relacionalmente mais simples mas tão mais aborrecido, tão insuportavelmente aborrecido! 
   Talvez por isso estou sozinha, conduzo o meu carro, abro as minhas garrafas, vou ao videoclube da meo quando quero...e não tenho a porra de um homem para me dar luta nessas tão importantes questões de poder do relacionamento entre um homem e uma mulher! Nem tenho o desgaste, graças a Deus! 


   Ninguém disse que viver é fácil!
   

   
   


   

domingo, 9 de outubro de 2011

Monte Brasil

do meu quintal...





Angrajazz 2011 - Os bastidores
























Angrajazz 2011 - Os artistas

   Cartaz bom, excelentes músicos mas... ficou à quem do ano anterior! De qualquer forma, 3 noites de excelente música, sem grandes rasgos de genialidade, exceptuando o Kurt Elling Quintet em alguns momentos!
   Alguns registos: 

Primeira noite:

  1- Orquestra Angrajazz - infelizmente sem fotografias;

  2 - Night of Jazz guitars com Larry Coryell



   Segunda noite:

   1 - Bill Carrothers Trio



   2 - Kurt Elling Quintet




   Terceira Noite

   1 - Júlio Resende International Quartet




   2 - Dave Douglas Brass Ecstasy