quinta-feira, 24 de julho de 2014

A pena de morte

   Nada como uma noticia fresquinha de um condenado à morte nos EUA acabado de ser executado com sofrimento físico, que é algo que anda a acontecer com alguma regularidade, ou outro tema quente, o tema professor também aquece muito e tem um lugar especial nos ódios do pessoal cá do burgo, dizia eu, nada como assuntos de alguma delicadeza ética para fazer as delicias do povão; podia ser feito um tratamento estatístico, um gráfico simples de barras com os comentários de resposta produzidos em duas horas, que em duas horas já há matéria com fartura. Para o assunto dos assassinos de gente que merece pena capital nesse modelo de país onde se aplica a justiça ao ralenti do " matas, morres" , anos e anos em diferido que é para doer mais, posso assim de repente e grosseirramente arranjar 2 grandes categorias de opiniões: 1º Os eticamente preocupados, anti-pena de morte convictos, que tentam normalmente com argumentos pedagógicos e com algum grau de condescendência e muita, mas muita paciência explicar aos outros, porque se não deve matar o próximo, mesmo que este tenha feito algo de muito mau; 2º Os ferrenhos adeptos da pena de morte que pelo colorido que apresentam devem ser agrupados em várias secções: A - Os a favor da pena de morte convictos sem papas na língua, rudes na palavras mas porque para problemas sérios não há cá falinhas mansas; são os que dizem " devia ter sofrido mais" ou " é pouco para o que fez"; B - Os irónicos sobre as penas dos caridosos, normalmente põem mais achas para a fogueira com expressões do tipo " Era rijo o cabrão" ou " coitadinho... tenho-me fartado de chorar com pena dele"; C - Os que não compreendem como se pode ter pena de semelhantes monstros e utilizam a velha argumentação implacável " se fosse a vossa mãe ou o vosso filho queria ver se tinham pena deles"; D - Os que justificam a pena de morte argumentando confusamente que ninguém tem direito a tirar a vida de ninguém, contradizendo-se amplamente fazem as delícias dos anti-pena de morte; gaguejando sem contrargumentarem partem ofendidos desejando os bons dias; normalmente não investem na discussão mais tarde; E - Os filósofos de rua que têm normalmente uma bagagem de invejar em provérbios populares e que normalmente cingem os seus comentários descartando uns quantos, alguns corriqueiros mas nem por isso menos adequados como o " olho por olho, dente por dente", outros, um pouco mais elaborados, quiça depois de uma breve pesquisa à internet como o " carne de cão não ganha infecção" F - Os que gostam de andar na onda dos ditos mais em voga como seja os que dizem " É assim..." nos inícios de frases de alguma profundidade mas que para o assunto em apreço lançam um " temos pena" frase curta mas que já por si diz tudo; finalmente mas não menos importantes e numa percentagem que não deve ser marginal os Fs - os ressabiados dos vários governos, aqueles que gostariam de ver os nossos governantes em terrenos de grande sofrimento físico do género " quem devia estar ali a morrer lentamente era o Passos... ou o Portas... ou a Assunção....ou o Cavaco.... um qualquer, caraças!"