quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Rumo a S. Jorge - dia 6

   Alvorada bem cedo, comprar pão para o pessoal e descobrir onde tomar banho. É logo ali com uma piscina artificial junto a uma pequena enseada de rochas e onde forma alguns nichos de lagoinhas . Sem carro para nos levar aos seis e porque a ideia é descobrirmos as ilhas de fora para dentro, decidimos zarpar para as Lajes e descobrir a terceira vila da ilha do Pico.  São 15,30 e estamos a ir a uma velocidade de 6 nós e com um vento imenso a 27 nós. O barco normalmente inclinado a uns bons 45 graus e com o nosso skipper a ter que fazer algumas mudanças de bordo que obriga ao pessoal da cabina e equilíbrios constantes. Está tudo com um ar de aborrecimento e meio mareados. A Sofia, inacreditavelmente já vomitou o que a deixou mais bem disposta. O conforto nestas alturas não existe mas se quisessemos conforto tinhamos vindo de avião e ficavamos num hotel. A tarde está luminosa e a temperatura amena.   Da minha parte estou a apreciar cada momento.  

Rumo a São Jorge - dia 5

   Hoje houve mudança de planos; infelizmente o tempo estava instável e decidiu-se não nos mantermos no plano que tinhamos traçado de percorrermos a restante costa sul de São Jorge e daí zarparmos até à Terceira. Havia outras duas possibilidades: ou regressarmos de imediato à Terceira ou irmos dar um pulinho até ao Pico. Ninguém estava com vontade de regressar a casa pelo que se decidiu ir até São Roque, a única vila do Pico na costa norte da ilha e por conseguinte mais próxima de São Jorge. Após 3 horas de navegação a bater bem, com vagas jeitosas e muita molha pelo caminho chegamos a São Roque; infelizmente o tempo mantinha-se tormentoso e ninguém queria passar outra noite parecida com a segunda da Fajã de Santo Cristo pelo que decidimos que, já que estavamos ali porque não ir até à Madalena que tem um bom porto de abrigo. O Zé Carlos baixou as velas, ligou o motor e lá fomos nós, mais mortos que vivos, tudo a dormitar na cabina menos o nosso skipper que se manteve sempre incansável.  Na Madalena o tempo estava bem melhor, atracamos o barco e terminamos a noite a ver um rancho folclórico minhoto e a dançar um vira no final. Regresso a bordo, uma jogatana de trivial. Amanhã, planos não há, será o que decidirmos no momento. O pico do Pico chama-nos mas não viemos equipados para tal empreitada, de chanatas não me parece apropriado. Logo se verá.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Rumo a São Jorge - dia 4

   Hoje foi um dia para descansar e passear. Não andamos para muito longe, usufruimos da vila das Velas, que é pequenina mas bonita, com uma igreja à sua escala mas um interior muito rico. O edificio da Câmara Municipal é robusto mas bonito, o jardim da vila é uma pequena delícia com o seu coreto vermelho e todo vedado com um gradeamento verde. As ruas muito limpinhas, as casas arranjadas. A zona balnear, Poça dos Frades, tem uma vista privilegiada para o Pico e o seu pico que hoje estava quase completamente à vista. Um tempinho para visitar o cemitério da vila onde descobri uma figueira a transbordar de figos, que papei sem contemplações. O almoço feito pela Sofia para terminar a manhã, bicuda frita com arroz de tomate, umas frescas e uns martinis pela tarde e uma sopa ao jantar para rematar. Cá nos encontramos nós seis, a jantar sopa inventada pela Sofia, uma mistela saborosa com multiplos vegetais a boiarem na água, que varinha mágica não há. A Sofia que já me está a lançar uns olhos que a sopa fica fria e depois não tem piada nenhuma. Prevê-se outra noite sossegada. Até amanhã!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Rumo a S. Jorge - dias 2 e 3

   Diário de bordo - 13,00 do dia 27 - ontem passamos o dia inteiro na Fajã de Sto Cristo. O dia não estava de feição e não havia rede para escrever blogues nem nada destas coisas modernas. Foi um dia de cansaço extremo com uma subida de meia hora até à cascata da fajã. Antes disso houve que ver onde trazer o bote até terra em segurança. Como as facilidades não acontecem em momentos de aventura, o motor do bore enxurrou e à força de remos chegamos a terra. Almoçamos na unica tasca da fajã e conhecemos o poeta, escritor e desenhador Emanuel que para além de todas estas qualidades também é bom comerciante e tivemos que entrar num bate-boca que como sempre, deixa os meus filhos muito envergonhados porque acham que eu falo demais e que tenho a mania que sou esperta. Um banho na caldeira para terminar e regressamos ao bote, uma corrente meia manhosa que nos fez ficar encharcados até aos ossos. A noite a bordo foi temerosa, uma ondulação que não deixou ninguém  dormir na sério. O nosso skipper foi incansável, passou a noite alerta, os ruídos e os balanços deixaram todos maçados. Dormiu-se a espaços, foi uma noite no minímo interessante.

   De manhã, como num passe de mágica acordei para outra paisagem, o primeiro vislumbre que tive, num dia radioso foi a Fajã do Ouvidor. Míudos já despertos e com a irrequietude própria de quem não consegue estar sossegado, atiraram-se ao mar e foram a nado até terra, uns bons 100 metros que não lhes mete medo. Quanto a mim, um banho matinal num mar de azul profundo. De bote até à povoação para descobrirmos um casario mimoso e uma paisagem de suster a respiração. Descobrimos a maior piscina natural onde tive o prazer de megulhar depois de descermos degraus sem fim e atravessarmos uma ponte manhosa em equilibrio precário. Às 17,00 zarpamos novamente a continuar a costa norte na direcção da Ponta dos Rosais. O Zé Carlos, previdente como sempre e zangado porque de manhã bem cedo deixara escapar uma bicuda, lançou os iscos novamente ao mar e no espaço de meia hora apanhou duas bicudas, grandes e airosas. O terceiro que mordeu o isco era tão maravilhosamente grande que deixou o Zé a escorrer suor e já a subir para bordo escapou-se com o isco na boca. Antes tivesse acabado na nossa panela que com o isco falso que levou na boca deve ter tido uma morte lenta e sofredora. De motor ligado porque não havia vento ao contrário da ondulação que era forte, atravessámos a ponta dos rosais onde aí fomos levados em vagas que subiam e desciam empurrando-nos para diante, movidos por massas de água um pouco intimidantes. Um pouco mais à frente mais um grupo de golfinhos, curiosos e travessos que nos acompanharam um pedacinho do nosso caminho. Chegamos às Velas depois das 20 horas e dormimos nessa noite, um sono solto e sem sobressaltos. 

sábado, 25 de agosto de 2012

Rumo a São Jorge

 Diário de bordo - 25 de Agosto ,21,30 da noite  e é noite cerrada. Estamos a duas horas de caminho de S. Jorge,vindos da Terceira, no barco à vela do Zé Carlos.  O Bonito apanhou bom vento a partir de meio da viagem e se no inicio se fez ao mar com a ajuda do motor, há mais de três horas que navega só com a ajuda do vento, que é para isso que deve servir um veleiro com orgulho de o ser.  O destino final é a Fajã de Santo Cristo, na costa norte da ilha. A lua em quarto crescente à nossa esquerda, dentro de uma semana temos a lua cheia, lua azul assim chamada por ser a segunda no mesmo mês. O barco corre agora à velocidade de 6,5 nós com rajadas de 18 nós, mas quando desligámos  o motor viemos a assapar a 10 nós. Apesar do vento a aragem é pouco agreste. Está toda a gente ansiosa por chegar, a Sofia e eu que desconhecemos esta fajã, os miúdos que já estão moídos de tanto mar. O João e o Gui enfiaram-se dentro de sacos-cama no deck do barco, o Vasco, diferente de todos dorme sossegado no desconforto mareado da cabina. A lua e o seu reflexo e o farol do Topo são as nossas três referências visuais. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Azares ... ou não! Uma questão de perspectiva!

  
   Hoje iniciei o dia com um furo num pneu; é bem feito porque tenho sempre a mania que consigo passar em cada regozinho de estrada; pimba, em plena cidade, no meio da azáfama do quase meio-dia, ouço o som insuportável do chiar do pneu a esvaziar furiosamente após ser trincado, sem apelo nem agravo num passeio, ali para as bandas da Praça Velha! Ainda pensei poder, muito devagarinho, chegar à casa do mecânico, no Pico da Urze (ainda em negação!), o nhanhac da jante a rolar pelo chão fez-me parar ali, juntinho dos Correios. 
   Como a idade sempre traz, aparentemente, alguma sabedoria, saltei a parte dos impropérios e da auto-comiseração que sabe sempre bem, do género" só a mim é que acontece isto", esquecidos que estamos de habituados a ver outros na mesma situação que nós, em lamentos iguais, dizia, ignorei todo o ritual que surge após o azar e parti imediatamente para a mudança do pneu , preocupada em chegar à Silveira, ainda da parte da manhã. Imediatamente, duas constatações: a 1º de ordem sociológica, tanta gente a passar, eu ali de rabo para o ar, aparentado o meu ar mais profissional do género " não se preocupem, não quero olhares de pena, eu sei perfeitamente o que estou a fazer", ar escusado dado que ninguém me deu mais importância do que se dedica a um cão sem dono, nem aos sorrisinhos disfarçados tive direito; 2ª de ordem técnica e mais grave, o estupor do elevador de socorro tinha o fio de aço de segurança enrolado à volta de uma porca e não descia; situação de passível resolução mediante um alicate, que é coisa que obviamente, nem me passa pela cabeça ter dentro do carro. Liguei ao meu mecânico, telemóvel desligado, não posso esquecer-me de o despedir, passa na cabeça de alguém que o meu mecânico faça férias? Nas férias dele, quem trata do meu carro? Eu?!!  Permiti-me, sem culpas, um primeiro momento de grossa asneira, vinda das profundezas da alma. 
    Eis senão quando, pronta a arrumar a tralha, trancado o carro ( inexacto porque este meu carro só tranca quando lhe apetece, normalmente quando inclinado com a proa para baixo, vá-se lá saber porquê), surge um anjo consubstanciado no corpo de um ser humano de nome JC. Surgiu de rompante, com um ar profissional, explicado o problema, de súbito calça umas luvas, busca o alicate que obviamente possui, tira o pneu de socorro e muda o pneu em 10 minutos, mantendo o mesmo ar airoso de quem acabou de sair do duche; e eu de mãos cagadas, perdoem a expressão mas não encontro alternativa fidedigna, e toda descomposta. Naquele momento, senti um alívio e uma gratidão enormes. 

   Para as pessoas que seguem as minhas peripécias de mudanças de casa e que, justificadamente, já não me levam a sério ou que possam pensar que sofro de uma cena meia obscura denominada de psicose de mudança, que não sei se existe documentada mas houve um amigo que a aplicou sem hesitações e quem sou eu para duvidar da sabedoria dos outros, quero dizer duas ou três coisinhas a fim de me conseguir explicar sem parecer meia maluca: saí da casa número um porque a renda de casa era altíssima, saí da casa número dois porque o senhorio não era uma pessoa séria e pôs em causa a minha seriedade, saí da casa número três porque tinha um problema na fossa e porque fui estúpida, basicamente; saí da casa número quatro porque tinha um problema na fossa ainda mais irresolúvel que na casa número quatro. A casa número quatro consta-se que era assombrada mas não foi isso que me fez fugir dela, zarpei dali para fora pela insalubridade da casa, duvido mesmo que as assombrações ainda se mantivessem lá, consegue-se imaginar uma eternidade de alma penada a conviver com o cheiro a caca?  A casa número cinco é muito gira, fica na baixa da cidade e é um encanto! Como facilidades não são comigo, tudo o que é fácil e simples é aborrecido, surge o primeiro teste para a casa número cinco: não é que tenho uma infestação de pulgas?! Pulgas minúsculas, daquelas que picam, que saltam e que estão em todo o lado? Não sabia que era possível uma coisa assim, a vida é tão interessante, aproximava-se um mês de agosto aborrecido, sendo assim, surgem novas perspectivas de animação. Aquilo que dizemos volta-se invariavelmente contra nós; afirmei-me a dado passo aborrecida!! Após esgotadas as mezinhas caseiras e os conselhos de amigos mais ou menos avisados, pasmada com o número de casos de ataques concertados de tão insignificantes bichos, ouvidas as peripécias de cada qual, interiorizadas todas as receitas de como matar as estupores, aceito a derrota e chamo o exterminador.  25 minutos e 150 euros depois, declara que a rebelião está esmagada! Por agora ando em pezinhos de lã, com visão microscópica à cata do menor sinal. Ando sensível à menor comichão, à mínima sensação de picada, padeço do síndroma de perseguição, levada a cabo por um inimigo que joga com armas desproporcionais. 


   Não pretendo afirmar que tenho uma vida mais complicada que muita gente (dizê-lo seria quase blasfémico), tenho contudo uma vida, vamos dizer...cheia; cheia de peripécias, de movimentações, de decisões, de incríveis chatices, muitas chatices. Nem é, sequer,minha vontade fazer a apologia da mulher coitadinha, cheia de problemas e responsabilidades; aliás, cada vez me acho mais graça e graça à minha tendência para andar sempre à procura do complicado, daquilo que me irá dar trabalho, que sei que me dará... mas que se faz, vamos lá, pela graça! É que se formos a ver nem denota grande inteligência ou esperteza da minha parte; é uma coisa mais instintiva, em que em lapsos de frenesim decisório, destino os assuntos mais importantes da minha vida! Na verdade, nem me tenho dado mal, as decisões que tomo não são também de dimensão estratosférica mas no mundinho em que me movo, são já de dimensão considerável! Em setembro inicio um novo ciclo, a escola de S. Sebastião aguarda-me! Estou " em pulgas" para começar! 


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Silveira - actualização de verão

   A Silveira está ao rubro. Esta é outra Silveira, não aquela dos meus banhos no inverno, esta Silveira está apinhada de gente que só põe o pezinho na água se esta estiver em ponto de ebulição. Gente que precisa de sol, de preferência sem nuvens, que as nuvens moem com a sua disposição e os deixam a bater o queixo em risco de hipotermia. Habituais, indefectíveis defensores do banho durante o ano inteiro, alguns banhistas de mão cheia:   senhoras já bem entradotas, de boa postura e fina figura, com horror a molharem o cabelo, um fenómeno que me escapa, velhos de secas carnes, algo mirrados mas invejável condição física, que de verão ou de inverno se afirmam maravilhados com a água. Pessoas de tão habituadas  que estão destas andanças que fazem a distinção da temperatura da água, de dia para dia com precisão até às centésimas. 
   A Silveira no verão é um caldinho social onde convivem não se misturando gente muito diferente: de manhã cedo surgem as famílias bem estabelecidas, de crianças barulhentas e saudáveis, de mães atentas e pais precocemente envelhecidos, homens de meia idade, de ventre proeminente, sem musculatura aparente, perdidos em comezainas constantes regados com toneladas de frescas. Um pouco mais tarde surgem as já esperadas moscas de verão, uma raça de gente que surge com o sol de verão, em visita de tios, primos, cunhados, avós, familiares aparentados em 5º e 6º graus. Os turistas, desgarrados e perceptíveis com a prudência com que chegam, franzem o nariz à ideia peregrina do cimento como substituto da areia mas totalmente rendidos ao mar vão dizendo " este sitio é estupendo, só é pena não haver areia". Durante a manhã a Silveira ainda é circulavel! Chegando a transição da manhã para a tarde, o pessoal mais novo, de férias, aquele para quem a vida se inicia depois de metade do dia terminado, vai aparecendo com sinais evidentes de mazelas alcoólicas nos seus rostos morenos.  Vêm em grupos numerosos e substituem as famílias que partem com crianças impacientes de fome. A partir das 15h, quando a prudência manda a debandada para poisos mais frescos, a Silveira torna-se intransitável. Não se recomenda! É o momento para todos os narcisistas que trabalham para o bronze em modo rápido. A partir das 18 chega ou regressa o núcleo duro, onde eu me incluo  esperançosos que os falsos banhistas se tenham ido embora. Aparecem também, por essa altura, aqueles tipos, os do culto do corpo que aproveitam a proximidade do ginásio para virem mostrar a musculatura a mulheres de fina sensibilidade visual. É um verdadeiro regalo para os olhos, se efectivamente permanecerem calados.
   O horário de verão do Melro Preto é quando bate o quarto depois do meio-dia. Umas vezes chega antes quando a ansiedade é insuportável. Chegar mais cedo, em si,  não merece reparo, a pontualidade constitui para mim atributo louvável e desejável. Diminui-me, no entanto, a probabilidade de o ver chegar, todo ufano de peito enfunado e porte altivo, entretida que estou nas minhas aventuras do Comissário Maigret, livrinhos de bolso da colecção vampiro que descobri a 1,5 euros numa livraria junto de mim ( não revelo o local porque tenciono ficar com eles só para mim). Divido a minha atenção e nem sempre sou bem sucedida apesar de me orgulhar de saber fazer várias coisas em simultâneo sem evidente falha de eficácia mas admito que viro as páginas com maior lentidão ou perco o meu passaroco de vista. Breve o encontro porque é de rotinas instituídas: desce a rampa de ar vagamente distraído, percorre de modo estudadamente lento o centro do cais onde a manada se concentra, cumprimenta fulano ou sicrano destilando confiança e empatia, um pormenor delicioso, os seus polegares e indicadores unem-se como se tivesse sempre uma pele de uma unha para arrancar, que lhe dá elegância e sensibilidade. 
   É verdade, eu tinha prometido a mim própria que já era tempo de deixar de me pronunciar sobre o Melro Preto e só Deus sabe como me tenho contido! Perdoem-me mais esta fraqueza, afirmo que procurarei que seja a última.              Certa tarde, em distracção imperdoável, fui amigamente avisada de um outro personagem, ser que caíra sem sobreaviso naquele espaço sagrado, que me poderia finalmente fazer esquecer, sem remorsos, a existência do outro. Era de tal forma uma formidável figura que senti logo que o vi, uma lufada de ar fresco, um momento apoteótico que intui, erradamente, me proporcionaria horas e horas de divertimento. O Coiso usava um chapéu de abas largas, displicentemente caído sobre a face direita, sandálias de couro e como única indumentária, a revelar a sua figura portentosa, uma tanga de elásticos já lassos, um amuleto da sorte, porventura, que arredondavam, numa ovalidade sublime, o coiso propriamente dito. Encostado ao varandim do cais, de costas para o mar, a certeza desde logo que banhar-se não faria nunca parte dos seus planos, a figura era a promessa de inconfessáveis desvarios. Permanecia quieto, rodando a cabeça sem pressas, observando, esperando que os seus inegáveis atributos fossem suficientes sem que para isso tivesse que mexer um dedo do pé que fosse. Torci por ele, aguardando que a táctica desse frutos; lamentavelmente e vergonhosamente não perseverou e assim como surgiu do nada, para o nada se desvaneceu. 
   O Melro preto não! É de natureza perene e não desilude, sabe-se que se poderá sempre contar com ele.