quinta-feira, 3 de outubro de 2013

   O português a conduzir é irascível, impaciente, pouco cortês, anda sempre com pressa, acha sempre egoistícamente que a pressa dele é mais importante que a pressa dos outros, buzina, vocifera, fala sozinho com grande frequência mas sempre num diálogo de surdos" oh meu grande boi, não te mexas não que eu espero, ouviste?!" " A carta foi tirada por correspondência, foi?! Pareces a tua mãe ao volante, ó aventesma do c..!". Ele sabe que o outro não o vai ouvir mas nem por isso deixa de ser expressivo e espontâneo. E há lá mais espontaneidade do que a visceral frase " Vai para o c..! Se alguém que nos segue, colado e em ânsias de nos ultrapassar e finalmente o faz passados stressados minutos, quando por nós passa, nem é preciso que  tenhamos grande conhecimento de leitura labial para se perceber o que nos foi acabado de dizer; é que normalmente, a frase é dita pausadamente, com todas as silabas para que se perceba que nos mandaram para aquele sitio exacto, não para outro nas proximidades. Toda a gente reconhece a frase mesmo que a não oiça; o movimento e o desenho dos lábios ao ser pronunciada é inconfundível; se por exemplo estivermos a assistir a um jogo de futebol na tv e fizerem um grande plano de um jogador ele estará com grande probabilidade a fazer uma de duas coisas, ou a cuspir ou a mandar alguém, algo, o mundo, a vida, para  o c...! É no fundo uma libertação! E é universal, pode ser dita em qualquer idioma que o sentido está lá, basta a entoação de voz ou a postura do corpo, ser dita em swahili ou mesmo em linguagem gestual que a mensagem é descodificada sem grande dificuldade! 
   O português a conduzir é individualista, oportunista e chico-esperto e procura sempre ganhar vantagem; no entanto une-se sempre para um objectivo: enganar a policia; e de que forma pode ele fazê-lo?! Caso clássico:  nas operações stop é vê-los em sinais de luzes frenéticos a avisar os outros condutores; o que pisca acha que está a ser simpático, se lhe perguntarem para dar um exemplo de civismo ele responderá com o ar mais cândido deste mundo " avisar os meus parceiros de estrada que a bófia anda ali". Outro dia passei por uma operação stop e alguns metros à frente por um amigo que vinha em sentido contrário; daí a uns minutos recebo um sms a dizer " obrigadinho por me teres avisado!" Ele nem foi mandado parar mas lá está, não fui amiga nem solidárias, não tive sentido cívico para com ele ( quanto retorcido é isto?!), deveria ter avisado o meu amigo que a bófia estava lá mais à frente;  porquê faria isso? para dar a possibilidade de o meu amigo fazer uma inversão de marcha fantástica do género hollywoodesco com chiadeira de pneus e perseguições a seguir?! Não, ninguém vai fugir da eventualidade de se encontrar com a polícia porque nem sequer há tempo entre o sinal de luzes e decidir-se ir por outra via; é só o gesto, o avisar que importa, pode não significar nada mas para o comum condutor, o tal que é irascível, impaciente, nervoso, vociferante é como se fosse uma punhalada nas costas; não avisaste, é como se fosses um bufo. O engano, o logro, a união de um grupo ( que normalmente é desunido e que comete as maiores barbaridades na estrada) para com o outro grupo, a polícia, que ali está para travar os maiores desvarios e que é visto como o demónio. Não entende o condutor que o controlo é fundamental se ele próprio não se controla e tem comportamentos na estrada que todos dias os põe em risco a segurança de terceiros. Disso ele não quer saber, o que lhe interessa é que no final, depois dos desvarios diários cometidos, não foi mandado parar, não foi multado e amanhã continua a sua esquizofrenia ao volante! Alguém duvida que nos podemos deparar com um pela frente, um dia sem aviso?! Eu cá tenho medo, tenho muito medo!