quarta-feira, 6 de março de 2013

Coisinhas de mulher deprimentes

   Hoje quero  falar delas, tenho que falar em nós, nós mulheres que quantas somos que perdemos tempo com ninharias que não interessam a um caracol mas que são, vá-se lá perceber porquê, prioridades. Falo de enfeites. Estou muito à vontade para falar porque nesta coisa de enfeites sou pouco de me enfeitar apesar de reconhecer mérito em alguns dos enfeites e poder afirmar que, hoje em dia, me cuido melhor do que há dez anos atrás , parecendo na altura, nas palavras sempre sábias da minha mãe, uma "entronchona"! Falo então naqueles procedimentos que, e sublinho ser a minha opinião pessoal sentindo que nesta opinião estou em clara minoria, por discordarem de mim tanto elas como eles, as mulheres perdem tempo e que não as torna mais femininas nem mais bonitas ou mais desejáveis. Comecemos:
   1- Unhas das mãos grandes, pintadas ou não. A vantagem de estarem pintadas é ser mais difícil observar-se o esterco por debaixo delas. Se falo com alguém e essa pessoa tem unhas grandes o meu olhar, de forma incontrolável, dirige-se para as unhas e sem querer mas não conseguindo evitar faço logo uma radiografia à limpeza das unhas e nem sempre gosto do que vejo pelo que aconselho o seguinte: primeiro procedimento, cortá-las; se persistindo no erro, pintá-las com a cor mais berrante possível para que não se veja, se possível do avesso também para petrificar o esterco; Só existe algo pior do que uma mulher com as unhas grandes e é um homem com as unhas grandes: quanto a esses, o meu pensamento invariavelmente  encaminha-se para um terreno minado onde sem conseguir reprimir-me penso " para que é que raio servem estas unhas grandes?". Discordando do pressuposto que as unhas tornam uma mão mais bonita sei no entanto que as mulheres as têm grandes por questões puramente estéticas, quanto a eles nem por isso e  sendo assim não me alargo mais neste particular. Só concedo que haja um homem  com unhas grandes e é o Gary Oldman no Drácula mas a esse as unhas fazem-lhe falta e pode tê-las a encaracolarem-se em metros que fica sempre bem. Para mais e se quiser ser precisa, o Drácula não existe!
   2 - Unhas dos pés pintadas - há ainda uma variante de unhas dos pés maiores do que a curvatura do dedo o que permite múltiplas actividades sendo a mais importante a de se poder tocar qualquer instrumento musical com cordas caso não haja mãos para isso, circunstância que sucede com alguma regularidade-. Pode servir também para coçar a parte posterior das pernas, útil para quem não quiser inclinar-se e fazê-lo com as unhas das mãos. Ainda tem outra função, desta feita dissuasora,  como arma bons lanhos de carne se conseguem rasgar com umas unhas bem afiadas, caso quem dormir a seu lado não for sensível a protestos; uma lasca de carne facilmente se tira por esse processo e será sem dúvida mais convincente que um " Amor, vira-te para lá, estás a ressonar muito alto, não consigo dormir!". 
    Uma verdade que ninguém pode desmentir: nem toda a gente tem pés bonitos! Segunda verdade: muita mulher bonita tem pés feios em parte por andar sempre com eles enfiados em sapatos apertados e altos; Com estes dois pressupostos pergunto: porque raio mulheres bonitas  pintam unhas dos pés feios, se se pretende realçar o que se tem de mais bonito, se os pés são feios porque pintá-los para chamar mais a atenção sobre eles? Quantos dedos encarquilhados, torcidos e encavalitados em cima uns dos outros não se vêm com as suas unhas pintadas de vermelho garrido? Porque razão as mulheres quase sempre pintam as unhas dos pés de vermelho mesmo que o não façam com as unhas das mãos? Acaso julgarão sensuais, interessantes, esteticamente elegantes 5cm2 de unha, alinhados em montes de 5 vezes dois pés, em dedos nodosos, retortos, desproporcionais, por vezes? Terceira questão, as mulheres feias com pés bonitos não ganham nada em os mostrar porque ninguém, depois de olhar para cima irá olhar para baixo, pelo menos tão para baixo, tenho para mim que pararão algures ali a meio caminho, pelo que os pés não constituem motivo de desempate. Só aprecia verdadeiramente  pés uma faixa muito reduzida de pessoas com tara por pés e mesmo esses, particularmente esses são muito exigentes quanto aos pés que observam;
   3 - Sobrancelhas ultra depiladas à moda dos anos setenta. Lembro-me sempre da Ana Zannati com as suas micro-sobrancelhas por cima dos seus olhos esbugalhados e em risco de saírem das órbitas, a imagem das sobrancelhas é recorrente. Que mal faz uma penugem decente num arco normalmente bonito como têm todas as mulheres? Porquê transformá-las e torná-las feias? Que raio de noção estética é esta que faz que mulheres novas e  bonitas pareçam as avós que desenham as sobrancelhas em lápis castanho e que ficam com ar de bonecas, frias e artificiais?
   4- Cuecas fio dental - como se sujeita uma mulher a tal instrumento de tortura? Para não ter marca da cueca tradicional? Não usa nenhuma e resolve-se o problema. Como aguentar ter um pedaço de tecido, normalmente exíguo que nenhuma utilidade tem a não ser dizer que se usa roupa interior, enfiado no rabo e não poder ter a lata do Rafael Nadal que entre jogadas desentala as cuecas das suas musculadas bordas do rabo? É que com cuecas fio dental por mais que se desentale é tempo perdido, é para lá que elas voltam novamente. É de todas as peças de roupa femininas ( há homens que também gostam de as usar) aquela que acho mais inutil, serve para nada, não tapa nada, é só para fazer sofrer, andar uma tarde ou uma noite inteira com tecido enfiado no rabo não é para mim, pronto. Certas estão aquelas que não trazem nada por baixo, por vezes e inadvertidamente se deixam apanhar, não são como as falsas puritanas que querem o mesmo efeito sem se deixarem comprometer seriamente! Eu cá gosto da cuequinha tradicional, não precisa de ter o tamanho das da minha mãe, só o tamanho certo para alcançar a porção de rabo que me coube em sorte, com marca ou sem ela.
   5 - Sapatos de saltos altos para quem não sabe andar em cima deles. É confrangedor ver uma mulher que não domina as alturas de uns saltos estupidamente altos insistir em equilibrar-se em cima deles, no entanto, há tantas que o fazem e com resultados tão devastadores!!! Não anda em cima de saltos altos quem quer mas quem pode e nem todas podem ou pelo menos não sabem; algumas é como se estejam com os pés cheios de bolhas e  em ferida, outras nota-se que pensam para andar, ora andar é natural, pensa-se tanto para andar como se pensa para respirar, no caso de algumas é mesmo...vamos lá, um pezinho à frente do outro; convenhamos que se se consegue andar nas ruas de Angra com as calçadas incertas e tremendamente mal engendradas consegue-se andar em cima de um arame, no entanto não é a melhor cidade para se aprender e para se aprender é preciso tempo e pratica e já agora talento; tenho um amigo homem que anda em cima de uns sapatos altos melhor que a maior parte das mulheres que conheço incluindo eu e não me parece que ande todos os dias a praticar; é algo inato, não é para todas, apesar dos que elas possam pensar. É injusto é certo mas a vida é injusta e há certamente umas injustiças bem maiores do que outras.

terça-feira, 5 de março de 2013

Importa-se de repetir?!

   De há dois meses para cá tenho um novo colega na escola, parece que veio assessorar o nosso conselho executivo, é macho e contrabalança um pouco a tendência feminina do grupo. Parece que percebe de leis, é daquelas pessoas que está a par de toda a legislação, e quando falo de toda é mesmo toda: portarias, projectos-lei, despachos e o que mais houver e tal como o nosso presidente da republica que sabe onde cabe cada virgula também este está habilitado para o confirmar ou desmentir.  Aparenta ser um tipo simpático, como sabe que todo o assunto que diga respeito a legislação e afins, com raras excepções de alguns seres iluminados, nos enfada até à morte, tenta falar depressa para despachar a temática. No entanto, se por incapacidade lingual de correr à mesma velocidade que o seu cérebro, se por problemas na fala, aquilo que era suposto ser uma sucinta e rápida explicação de uma lei torna-se numa penosa e corajosa  experiência colectiva. Este senhor executa a árdua tarefa de comer algumas sílabas, normalmente as sílabas finais e omite certas consoantes o que resulta numa espécie de  português muito parecido com aquele que os surdos-mudos conseguem falar com a diferença que este senhor ouve. Tem também o péssimo hábito de gaguejar em momentos cruciais, normalmente nas palavras imprescindíveis à compreensão do sentido da frase. A perguntas frequentes " percebeste o que ele disse?" sucedem-se algumas palavras emblemáticas no qual é rei o " pogama" no sentido de " Já leste o pogama?" ou " Qual é o pogama para hoje?".
   Esta escola está super bem equipada, a sério, é uma escola exemplar, temos psicóloga e terapeuta da fala, vamos lá, temos beiras de água no pavilhão quando chove muito, o que nesta terra corresponde a 2/3 do ano mas querer a perfeição absoluta do empreiteiro de serviço é um pensamento lírico. O grupo de professores e profissionais que prestam serviços de apoio aos alunos com necessidades educativas especiais e a todos aqueles que não conseguem dizer PROGRAMA é bastante simpático,  são todas mulheres e andam por vezes pegadas no sentido quase literal da palavra, no entanto as professoras são  mulheres mais polidas e não se dará o caso de irem à cara uma à outra por dá cá aquela palha, as disputas são mais cerebrais, de impacto mais subtil contudo, mortífero. Dou por mim a olhar para os míseros professores que trabalham connosco e a descortinar o que raio pensam eles de uma capoeira com tantas galinhas. Um tipo de estudo sobre eles que passam a maior parte da sua vida produtiva a trabalharem com elas seria no mínimo giro. Acredito que grandes conclusões se poderiam tirar! Ora continuando, tendo uma terapeuta da fala a tempo inteiro nesta escola, mais, uma psicóloga a tempo inteiro na escola, tendo as duas ao mesmo tempo, sabendo eu como sou, sinto que mais cedo ou mais tarde, sem que para isso me tenha sido pedida opinião ou conselho, acabarei por lhe perguntar se já pensou na possibilidade de se tratar com as excelentes profissionais que temos na escola. Não faço ideia de como será recebida esta minha proposta, no entanto é meu dever fazê-la, por uma questão de justiça. Se numa reunião de conselho pedagógico, ou numa reunião de trabalho em que ele esteja presente para nos elucidar com os seus excelentes skills burocráticos, nós percebermos 1/3 do que diz, seremos no mínimo 10 ouvintes a sair dali a perceber a ponta de um corno, que é como quem diz...nada!