segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Retrospectiva

Cinquenta e seis anos passados
Meio século de existência
Anos de vida dedicados
Ao mar, misto de enleio e obediência.

No dia em que veio ao mundo
Uma estrela brilhou no céu,
Nasceu para ser vagabundo
Neste mundo de homens foi feito réu.

A vida sempre lhe foi infiel e dura
Feita de trabalhos e canseiras
Mas o desconhecido e a desventura
Nunca lhe impuseram barreiras.

Cedo ingressou na Marinha
Em busca de novos horizontes
E a vida que sempre parecera mesquinha
Tomou novas formas, surgiram novos "montes"

E o mundo foi todo percorrido
Mês após mês, no mar navegando
Lembranças da terra, num tempo ido
Foram pouco a pouco se dispersando.

Conheceu numa festa da aldeia
Aquela prima desconhecida, tão esbelta
Seus cabelos negros, seus olhos de sereia
Puseram-lhe o coração em estado de alerta.

E o dia de casamento chegou
A noiva de branco, ele de fato
A hora que tanto ansiou
Fora chegada; heróico acto.

Nasceu o Rui; botão de rosa
Num jardim, ainda por semear
E para aquela família venturosa
Era mais alguém para se amar.

Moçambique foi a meta seguinte,
Terra das mil e uma cores
Terra de anseios, como um pedinte,
Terra de milagres, terra de amores.

Lá lhe ficou o filho amado
Que Deus ao céu chamou.
Ficou a vida sem significado
Sonhos desfeitos; quanto chorou!

A roseira tornou a dar flor
A alegria voltou a reinar.
Vieram à terra com todo o amor
Juraram p'ra sempre o lhes dedicar.

A Rui e a Baba foram crescendo
Crianças primeiro, jovens depois
E a vida foi sempre correndo
A vida que até ali fora a dois.

Um homenagem aqui prestada
Aos cinquenta e seis anos de vida
lhe deixo bem vincada
De uma retrospectiva vivida.

Maria Rui Dias Loução, 16 anos