domingo, 29 de setembro de 2013

Carta aberta ao CR

esquerda. e vento!
Carta aberta ao Cristiano Ronaldo.

Meu caro Ronaldo, tu não me conheces e duvido que venhas a conhecer como acontecerá a 99,9% das pessoas deste país e do universo conhecido. As hipóteses de tal suceder são tantas como tantas são as hipóteses de 99,9% dos homens deste planeta virem a ter a projecção mundial que tu tens. O que é, logo à partida, uma chatice para ti porque a ti todos te vêem e tens que aguentar pancada a torto e a direito.Deixa-me que te diga que não te aprecio mais do que a qualquer jogador que nos represente ( apesar de confessar que por motivos não propriamente importantes fiquei bastante sensibilizada com o visual daquele Nelson, o Oliveira, como qualquer mulher gosto de apreciar uma coisa bem feita e o cabelo do Nelson estava insuperável!). Hoje estiveste mal, erros clamorosos, dois golos em frente à baliza, não foste o super homem que tens a obrigação de ser para o dinheiro que ganhas. Não levaste a selecção às costas, parece que te atrapalhaste todo, tinhas as pernas pesadas, a tua cabeça não esteve ali e em dado momento claudicaste completamente. É aliás uma das grandes criticas que te fazem, não fazes milagres e lá está, alguém como tu tem que fazer milagres, ponto. Hoje, com tanta gente a falar mal de ti pensei mais em ti do que todos os pensamentos a teu respeito desde que sei que existes e andas a importunar uma data de gente. Uma questão: será que tiveste, desde sempre, uma sorte de tal forma monstruosa, os planetas na hora do teu nascimento estavam de tal forma alinhados no sentido de te receberem de braços abertos, que o teu trabalho desde que nasceste foi só o de te aninhares no seu regaço e esperares que tudo fosse feito como estava já determinado?! Se foi assim, o destino foi manhoso e cheio de sentido de humor e com tanta soberba que te plantou numa ilhota perdida no meio de um oceano, governado por um louco, numa família de gente humilde e disse-te: " agora desenrasca-te!" Não terá tido, ainda que breves, hesitações em tornar-te a vida difícil no inicio?! Estaria tão certo que irias vingar que se permitiu a um teste primeiro afim de confirmar o que já sabia?! Não estaria afinal certo que o que faltava nessa intrincada equação eram algumas das qualidades que tornam possível que o ser humano suba mais que outros seres humanos, o talento, a perseverança, o trabalho, a persistência e tão importante, a vontade de vencer?! E é justamente essa uma das criticas que tantas vezes te fazem: és ambicioso e queres ganhar e esse, meu caro é um erro clamoroso! Acusam-te de arrogância, outro erro que tens que rever, e pior do que isso, tiveste o atrevimento supremo de teres nascido pobre e agora coleccionares carros e permitires oferecer à tua família o que te apetecer. A inveja encapotada de belos e dignos princípios é fodida, meu caro Ronaldo, deverias desde logo ter doado 90% do teu ordenado mais tudo o que ganhas em publicidade a ajudares os pobres, afinal tu vieste de baixo e fica sempre bem não te esqueceres das tuas origens, o pobre que renega a pobreza e se arma em rico é crime capital! Para além disso tiveste o atrevimento de andar a comer umas gajas ( não sou eu que digo, são eles), parece que papaste muitas e isso é insuportável. Queriam-te casto e casado aos 27 anos, com um filho feito pelas vias normais! Não quiseste ceder também nesse ponto, namoras uma miúda gira que com toda a certeza, dizem eles, só está contigo pelo dinheiro e pela fama! Ganhas mais do que muitos, os que verdadeiramente trabalham, esquecem-se que não foste tu que ditaste as regras, elas já estavam feitas! Valores vergonhosos, com tanta gente a passar fome, digo-te desde já que não me importava de apanhar as tuas migalhas, cairiam bem no meu orçamento familiar mas também te digo que não te culpo, não és tu o culpado desde desvario futebolístico.
Não percebo a ponta de um corno de futebol e aborreço-me de morte com todas as questiúnculazinhas que movem o futebol, o que a mim me move é algo mais transcendental como é a nossa selecção, não a de futebol, mas qualquer conjunto ou pessoa que nos represente a nós, enquanto povo. Tanto vibro com o futebol da selecção quanto com o hóquei em patins do Cristiano ou do Vitor Hugo, ou o atletismo do nosso Fernando Mamede ( que em tempos idos também foi cobardemente maltratado mas por outros motivos). Parece-me que mereces mais respeito! Se no domingo marcares um golo à Holanda passas a deus novamente e quem te vaiou será o primeiro a aclamar-te. Ter que viver com estas permanentes mudanças de humor histéricas de quem te vê deve ser uma porra mas tu disfarças bem. Mas lá no fundo a coisa deve moer um bocado! Penso que aquele golo que todos, eu incluída, exigem que faças terá certamente um sabor amargo porque tu mais do que muita gente percebe como a fama é efémera e a memória curta. E sempre te exigirão mais um, e mais golo até que te fartes de vez e mandes outro no teu lugar!

Vai com calma e pela sombra! 


   Fim de tarde, a caminhar devagar pela rua de S. João, luzes da cidade meias acesas, disposição tranquila, a sentir os pingos frescos a cair dos beirais das casas que os terceirenses des conhecem umas coisas chamadas caleiras, frescura desejada num dia de inverno ameno, e subitamente um pingo quente a esborrachar-se na face, mão a tocar na bochecha, poia de pombo de consistência diarreica... ninguém viu... discreta limpo-me num ápice! Muitos pensamentos me acorrem...com um sorriso!

















sábado, 28 de setembro de 2013

Caminhada por ali acima...

   Esta caminhada de hoje com a Francesca como parceira  tinha tudo para dar errado, a previsão catastrófica de um temporal de dimensões apocalípticas e um rally não previsto mas que se veio a verificar ser no mesmíssimo local que escolhera para caminharmos; com tantos caminhos, estradas e canadas logo havia de nos ter calhado toda aquela azáfama de policias, bombeiros, gente da organização, tascas com bifanas e mais tascas com bifanas e gente e gente em local onde normalmente não há gente e se pode caminhar em paz;
   O temporal foi um fiasco, veio uma pessoa preparada para cair uma ou duas árvores à nossa passagem e vai daí não caí nada, não há vento e a chuva que cai não faz mossa nenhuma porque vem logo o sol e seca tudo.
   Quanto ao rally tivemos a nossa primeira suspeita quando vimos uma tasca de comes e bebes a cheirar a coisas impróprias para caminhantes. A Francesca ainda perguntou ao tasqueiro. " Há touros?!" Olhada de alto a baixo, resposta lacónica " rally". " E passam por aqui, por esta estrada?" " Por aqui e lá por cima!" O lá por cima elucidou-nos e fomos remoendo pelo caminho " caramba, com tanta estrada, foi aqui que a gente embicou para dar da caras com carros desgovernados, sujeitas a morrermos atropeladas?" Decidimos logo ali que já tínhamos o mapa do percurso: nós que gostamos de ir ao calhas sem destino, desta vez e porque não queríamos sequer ver as máquinas infernais iríamos por onde não passassem carros; pareceu-nos um bom plano, precisávamos de saber por que caminhos é que eles iriam correr; chegadas ao Viveiro das Falcas enfiamos pelo caminho das estufas e fomos por ali acima por mato cerrado; chegamos ao parque de campismo da Lagoa das Patas e logo ali demos de caras com outra catrefada de gente: polícias, bombeiros, organização, etc e tal. A Francesca " Vamos perguntar por onde passa o rally?" " Só pergunto aos bombeiros, são mais simpáticos! " " E depois dizem-te que não sabem...Pergunta-se já aos polícias" " Só se for à mulher polícia!Já agora como devemos dirigir-nos a uma mulher polícia?" "Senhora Polícia?!" " Boa tarde, senhora polícia! " As palavras ditas silabadas por falta de habituação. "Precisamos muito de saber por onde passam os carros!" "Os carros?!" A senhora polícia de mente agil a perceber logo. " Sim, os carros de rally!" " Passam por muitos sítios " " Sim, mas neste percurso que vai até aos Viveiros, eles passam?! " Ela a dizer que sim, o parceiro fardado a dizer que não e a responder: " Passam em vários pontos! Passam por aqui às 16! " " E pela estrada da Falca?!" que era o que me interessava " Passam depois de passarem por aqui! " A sentir-me a avançar para a luz perguntei: " A que horas?!" " Depois de fazerem este percurso! " " Não me pode fazer uma previsão?!" Consultado o relógio e apoiado por três ou quatros pessoas que se foram chegando " Daqui a 50 minutos! " Alivio e sorriso aberto " Ah que bom, assim se formos rápidas não temos que os ver! " O polícia homem pareceu-me inteligente e riu-se por simpatia. " Sabe..." confidenciei " É que nós devemos ser das poucas pessoas aqui que não vieram para ver o rally, na verdade andamos a fugir dele! " Risota pegada, tadinhas, andam perdidas, e nós a pensarmos furar novamente para o mato; nem pensar, vegetação impraticável  avançamos pela estrada em passo acelerado a ver se escapávamos  Chegadas novamente à Falca a Francesca que diz: " Vamos por aquela estrada! Vamos perguntar ao polícia se dá! " Mais risos. Polícia grande, corpulento, um agricultor a quem já tínhamos pedido uma informação, dois rapazes, tudo agrupado. " Boa Tarde, senhor Polícia! Nós podemos ir por alí? Passa o rally por ali?" Apontei o caminho. " Podem ir, não passa mas chegarão a um ponto que passará." " E como fazemos para não termos que ver os carros que passam?!" O primeiro olhar desconfiado. " Não conseguem, por aqui terão que desembocar numa estrada onde passa o rally! Quer ver?! " Ele já a abrir o mapa e eu num ápice, saco do telemóvel e digo triunfante: " Eu tenho um mapa de uma aplicação, com GPS! Quer ver?" E pespego-lhe o telemóvel bem à frente da cara, suficientemente afastada mas de maneira a que não pudesse deixar de ver a maravilha que tinha para lhe mostrar: " Tá a ver?!" O sol a dar-lhe forte no écran do telemóvel  eu a constatar isso e a dizer " Não tá a ver nada! " Ele a olhar para mim de expressão ofendida e a dizer " Já que não estou a ver nada, veja você aqui!" Eu horrorizada " Não,não, não percebeu...era a luz do sol a bater... percebe... não dava para ver..." E ele de rosto fechado mas ainda paciente abre o mapa, o desenho do percurso em versão extrasmall e com o indicador papudo a indicar o percurso e eu sem ver a ponta de um corno e a dizer que sim, "ah pois, estou a ver! " E o outro, o agricultor a falar já desde há bocado, ofendido porque ninguém o ouvia a explicar, " Ando por estes caminhos a vida inteira!" e a Francesca para mim no seu registo sempre suave, daquela forma deliciosa que tem de falar português com a entoação italiana " O senhor diz que é a segunda à esquerda! " Agradece-se efusivamente ao polícia e ao agricultor a ver se lhes passa a ofensa e segue-se em frente e mal fora do seu campo de visão, optamos por abreviar caminho: abre-se a primeira cancela de muitas e entra-se num campo de milho e a Francesca a dizer " se aparecer alguém dizemos  - io no parlo portoghese ou então dizemos que foi o polícia lá atrás que nos disse para virmos por aqui, por causa dos carros, para estarmos mais seguras". Depois do milho veio a bosta da vaca e o barulho dos carros, felizmente ao longe. Descemos os campos abrindo e fechando cancelas (descobri três trancas diferentes para fechar cancelas todas muito engenhosas), subindo muros e saltando muros, até que finalmente fomos dar à estrada corrente com uma última cancela; do lado de lá um bando de homens, acto instantâneo todos se viraram para trás e ficaram ali a olhar-nos com tal persistência que me fez lembrar as manadas de vacas, quando do outro lado do muro nos aproximamos delas. Ficam a olhar para nós a ruminar, na pessoa humana a erva troca-se por cerveja e de resto confere, até no olhar bovino. 
Contas feitas, 10 quilómetros calcorreados metade dos quais a invadir propriedade privada e sucesso quase absoluto, só vimos um carro e era amarelo, a cor predilecta da Francesca.














sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A Tasca do Venâncio II

   De vez em quando gosto de regressar à Tasca do Venâncio, é um manancial de experiências sensoriais de uma riqueza insuspeitada desde que não olhemos muito de frente para a cozinha que está sempre escancarada. No Venâncio não há nada a esconder nem a ASAE se atreve a lá entrar. Os tachos e panelas estão revestidos exteriormente de uma camada resistente de gordura de alguns anos; a expressão " arear os tachos" é desconhecida por aquelas bandas, mas quem é que pode arear tachos e panelas todos os dias, todas as semanas, todos os meses?! anos?! e os azulejos perto do fogão há muito que perderam a sua cor original: tem uma patine acastanhada de ricos matizados; na verdade, o que me importa a mim que por fora as panelas estejam peganhentas se por dentro são lavadas? Mais que lavadas, têm substâncias que se reúnem para formar aromas e sabores maravilhosos.
   A Tasca do Venâncio existe a uns ténues 100 metros da minha casa pelo que estou sujeita, frequentemente, a investidas sensoriais que derrotam o vegetariano mais empedernido! Quando me farto de fazer comida e como me farto frequentemente de fazer comida e porque detesto fazer comida e porque arranjo qualquer desculpa para não fazer comida e porque a tasca do Venâncio fica tão perto e para mais, porque cheira tão bem na tasca do Venâncio e o Venâncio é um ser tão simpático, acabo por parar por lá fartas vezes, como não quer a coisa, a assobiar para o lado, a ver se cheira: cheira sempre, por vezes cheira na minha casa e isso é injusto; não havia necessidade que cheirasse tanto! E depois, é tão prático, num minuto estou lá ou em casa, é dizer ao sr Venâncio, venho em 5 minutos, guarde-me a mesa, e ala que se resolve o problema de mais uma refeição; é cansativo pensar em comida, engendrar uma cena qualquer que se coma que possa ser feita em meia hora. Pobres dos meus filhos que nisso não tiveram sorte nenhuma, comem o que a mãe faz e nem sempre a coisa fica muito bem feita. É o que se pode arranjar! O que é certo é que não há cá em casa gente esquisita e muito menos pedidos especiais. Quando lhes digo " Bora ao Venâncio", é vê-los a sorrir, contentinhos e felizes! Outro dia foi feijoada! Lá foi o Sr. Venâncio a outra porta contigua à entrada da tasca, por fora, pela rua, a outra cozinha buscar a panelona que aqueceu e dois pratos bem aviados, o do Gui menos cheio, o meu a abarrotar de sucos da feijoada. Uma cesta cheia de pão ( o pão que não se comeu dos outros clientes que por lá passaram, já se sabe, mas se queremos ser esquisitos não vamos lá, há outros, os especiais para esquisitos) para molhar naqueles molhos, uma ou duas cervejas, café e conversa com fartura que o Sr.Venâncio fala pelos cotovelos. Se se quer comer em sossego, em privacidade e outras caganças que tais também não se vai ao Venâncio porque ali ouve-se o que se quer e o que não se quer e se não se quer ouvir não se entra na tasca do Venâncio: é que o Sr.Venâncio é surdo que nem uma porta e fala alto como o diabo, para além de falar alto tem uma forma de falar estranha, parece que não enrola a língua pelo que a gente não percebe bem as palavras mesmo que ele as grite aos nossos ouvidos e na tasca espaço é o que não existe pelo que a boca do Sr. Venâncio está normalmente paredes meias com os nossos ouvidos. Na tasca do Venâncio fala-se de tudo mas principalmente de futebol e ali venera-se o Benfica mas como todos os seres humanos de alma gentil, o senhor Venâncio admite que se goste também de outros clubes, como o querido FCP do seu neto. Outro dia, o da feijoada,  entrou um forasteiro não ambientado com a dinâmica da tasca e foi encaminhado para uma mesa mais escondida porque aquela onde tencionara sentar-se continha dois artigos igualmente preciosos: uma faixa do Benfica atravessado em toda a mesa para esperar o jogo do Benfica que iria acontecer horas mais tarde e um pacote de arroz para estar ali mais à mão para alimentar os pombos que por ali vagueiam, à porta da tasca. Ficou logo a ver a onda dominante e foi convidado a sentar-se na mesa de um residente da casa, coisa que fez obedientemente sem um ai e encorajado desde logo a  encetar  conversa. Eu e a minha feijoada a darmo-nos muito bem, ela a deixar-se ser comida, eu a apreciá-la a cada garfada, o desconhecido a ambientar-se ao local, uns sorrisos de incentivo da minha parte. O Sr.Venâncio sozinho a orientar os pedidos sem qualquer dificuldade e sem se esquecer de um sequer...todos aviados é hora de o Sr.Venâncio soltar a língua a sério; hoje falou-se da Graciosa, a sua terra natal. Fala-se ali muito do passado, como não poderia deixar de ser. Disse-nos ele com o orgulho evidente na voz que começou a guardar vacas aos 6 anos e que costumavam pastar perto da caldeira e de como, certa vez, caiu por um talude e todo ensanguentado, abandonou as vacas a correr até casa para que o acudissem e de como levou uma tareia em chegando a casa por ter abandonado a manada. Os outros rindo-se e ele repetindo " uma sova do meu pai, aos seis anos porque abandonei as vacas!" E de como passava os dias descalço e que dantes não havia caminhos de alcatrão como hoje em dia, os caminhos eram de pedras e de como tinham os pés sempre cortados e que com o tempo calejavam até não se sentir mais a dor. O forasteiro inquieto para abrir a boca lá se desinibiu e falou e daí a uns instantes tinham conhecimentos comuns, família que o velho Venâncio conhecia. Conversa animada, reconhecimento de gente comum do passado. Entretanto deriva o Sr. Venâncio para a Terceira e para o porto de Angra e vai daí pergunto eu se se recordava do meu pai. Não se lembrava mas sim de alguns civis que trabalhavam na capitania do porto, do grande amigo Figueiredo " o meu padrinho do crisma" quase que grito! "E lembra-se o sr Lucas, piloto de barra?" " Então não me lembro?! Excelente pessoa!" é a resposta; "e o sr Ângelo? "e a cada lembrança um sorriso cada vez maior, a alegria de partilhar memórias de gente que já não está e que em épocas que já lá vão fizeram parte das nossas vidas. O velho Venâncio comovido, eu mais uma vez a relembrar, eu sou sua vizinha, já uma vez lhe disse, moro ali a 50 metros na rua do Faleiro. Peço a conta, faz o calculo por alto e em segundos, pago, cumprimento efusivamente e saio e eles continuam, ele e o forasteiro e os residentes habituais da casa, voltam à conversa da Graciosa e todos os dias é o mesmo, só mudam os forasteiros e no entanto depois de lá entrarem é como se já fizessem parte da casa. É por isso que eu volto ao Venâncio!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Pneus e furos e cenas assim...

   Há lá coisa mais agradável do que um furo num pneu numa manhã cedo de 2ª feira? Talvez um enxerto de porrada ou uma dor excruciante de dentes ou de cabeça, no entanto, um furo é sempre um furo, implica desorganização na nossa vidinha formatada e para além dos skills técnicos necessários é sempre uma prova delicada para qualquer mulher nem que seja no seu amor-próprio. É que apesar de não ligar nenhum ao carro e a tudo o que a ele diga respeito, incomoda-me passar a ideia que sou uma tansa nos aspectos relacionados com o dito. Pensar no carro é aborrecido, tudo o que lhe diga respeito é um enorme bocejo: limpá-los, lavá-los (agrada-me viver numa ilha, normalmente a mãe natureza trata desse assunto por mim; para além de que tenho uma aranha com uma teia muito bem composta entre o espelho lateral direito e a porta e aborrece-me deixá-la sem casa), ver-lhe o óleo e a água ( quanto ao limpa para-brisas a chuva resolve o assunto pelo que só é reabastecido de água quando vai à revisão), controlar as idas à revisão (grosso modo depois do limite de quilómetros ultrapassados dou-lhe mais uns 3 mil, passo-lhe a mensagem que confio nele), à inspecção ( tenho medo dos inspectores, são sempre muito enigmáticos e não transparecem nada se vão chumbar o nosso carrinho e olhando para eles e para os seus rostos severos sinto sempre que algo de muito grave se passa com o meu carro!), até ter que parar na bomba para o encher de gasóleo de vez em quando ( normalmente abasteço quando já não há mais volta a dar, é até o limite do sensato, quando o ponteiro há uns tempos atrás está colado ao vermelho). Dedico ao carro a importância que têm as coisas de que não prescindo mas de que me aborrece ter que cuidar. Sou uma ingrata e o meu carrinho tem sido um instrumento fiel! 
   Um pneu furado em ida para a escola para deixar miúdos implica raciocínios complexos quando a cabeça ainda não está a funcionar a 100%; implica fazer previsões e imaginar potenciais cenários,  tomar decisões rápidas para que nem os putos faltem às aulas nem eu chegue atrasada à escola; hoje resolvi arriscar e fui, lenta como um caracol, com o pneu em baixo, a sentir todos os estremeções do carro em cada pedra de calçada e só pensava " que a jante não fique empenada e eu sem carro!". Rezei pelas alminhas que conseguisse ultrapassar aqueles intermináveis dois quilómetros. Depois, parei o carro numa sobra de estrada e respirando fundo joguei-me forte naquela empreitada. Quantos de nós vendo a pouca sorte dos outros quando o mesmo lhes acontece ou mesmo um acidente não pensam " pobre coitado, mas antes ele que eu!"
   Hoje era eu e nem pensar em armar barraca. Com o meu ar mais profissional desenhado nas ventas, de mulher claramente batida nestas andanças, com a postura corporal de quem faz aquilo todos os meses, lá comecei os procedimentos habituais com a maior dignidade possível. Penso que passei a imagem de quem domina o assunto na perfeição e de tal forma foi que um homem passou por mim no passeio e nem um " A senhora quer ajuda?!". Nada!!! Que frieza, que indiferença! Por um momento fiquei ofendida, que a gente gosta de algumas delicadezas ainda que seja para depois se responder com a expressão mais indignada que nos for possível desenhar no rosto " Não muito obrigado, tenho tudo absolutamente controlado!" Em certas situações as aparencias são fundamentais e penso que estive bem nesse departamento. Tudo corria sobre rodas até chegada a parte de desapertar as porcas. Malditas porcas... e estou a ser simpática com elas! Eu saltei, puxei, empurrei, pus o peso dos meus quase 70 quilos por cima da chave de porcas, utilizei os palavrões mais expressivos para ajudar a fazer força... até que surgiu uma questão de alguma importância: Afinal de contas para que lado é que se desenrosca uma porca, da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda?! É que saber a resposta a esta pergunta faz toda a diferença! Telefona-se ao cunhado e pergunta-se: " Olha lá, uma questão simples, para que lado é que se desaperta a porca de um pneu?! Resposta rápida e consoladora. " 90% das vezes é da direita para a esquerda!" " Ok, passei os últimos 15 minutos da minha vida a fazer exactamente o contrário!" Lá está, questões  de lateralidade que em alguns momentos fazem alguma confusão para quem está habituado a fazer as coisas ao contrário. O meu carrinho que é italiano e portanto não deve ter essas manias de ser diferente como os ingleses deve ter as porcas a rodar para o lado certo, Deus me ajude!" E ajudou que, ultrapassada esta questão, foi em 10 minutos que o pneu foi mudado e que cheguei à justa à escola, contente por ter pedido ajuda e por ter perguntado o que não sabia; há alguns anos atrás, de nariz empinado, era bem capaz de estar, ainda, a desapertar as porcas para a direita; quem sabe conseguia, a perseverança (ou a estupidez) fazem milagres.

sábado, 21 de setembro de 2013

Os amigos " faz de conta que são amigos"

      Qualquer ser humano de estrutura mental dentro dos padrões reconhecidos como normais tem um grupo interessante de amigos dos quais não abdica; esses amigos são reconhecidamente imprescindíveis para a sua vida social que gostam de cultivar; é um ser gregário, é em grupo que se identifica e se sente bem; só os eremitas e demais seres de má catadura conseguem viver uma vida numa espécie de reclusão auto-imposta e se sentirem realizados por essa via, a da exclusão. Os restantes precisam de companhia. No entanto não andam por aí, propriamente, amigos a cair às resmas como gotinhas de chuva pelo que cada um, o melhor que pode vai seleccionando uns quantos, os que pode e os que deixam que possa. Por processos não totalmente compreendidos existem pontes entre algumas pessoas que lhes permitem aproximar-se uma da outra. Os critérios de selecção dos amigos são vastos, quase nunca inteligíveis e nem sempre de substrato sólido: muitos, superficiais até! Pouco importa! Feito o amigo e tendo essa amizade uma idade ainda muito frágil assegura-se o fortalecimento da amizade através de jantares, encontros, petisqueiras e cenas afins de consolo para o estômago,  um bom valor etílico a acompanhar a fim de acelerar o processo de amigação. Estes momentos tendem a desmultiplicar-se em variadas cópias porque é uma receita de comprovada eficácia: comida para a pança porque todos os dias se tem fome;  álcool para a pinha porque se liberta o espírito e se tende a ser mais amiguinho e portanto, mais predisposto para aguentar o outro, o que em circunstâncias sóbrias não haveria pachorra para tal;  companhia para a nossa insustentável solidão! Resulta infalível se não nos começarmos a armar em esquisitos! No entanto, em dez amigos que se faz só dois passarão da condição de amigos para a condição de Amigos, os outros serão amigos mas numa situação mais precária, com prazo: enquanto dois desses futuros amigos o serão para todo o sempre os outros oito amigos, o serão desde que as condições ambientais sejam as propicias.

Princípios fundamentais: 1º   Proibido dar secas, de qualquer tipo; 2º Proibida a critica pessoal; 3º    Proibida a discussão estéril susceptível de criar atrito; 4º    Proibida a tristeza e quaisquer sentimentos negativos que possam influenciar o estado geral do grupo;

Observados este princípios temos amigos e podemos jogar essa amizade da forma mais conveniente; os meses do verão serão aqueles onde a dança dos amigos terá mais impacto, rodam-se pelas casas de uns e outros e a vida social é de uma intensidade tal que se julga, por um  momento, não se terem nunca tido amigos como aqueles. Rapidamente se ultrapassa esse logro, é que não se consegue estar de cara alegre todo o tempo da nossa existência e para os momentos em que somos feios, tal sorte de amigos não serve, muito porque não está para isso. E a gente não quer!

sábado, 14 de setembro de 2013

Regresso

   Em meados de Agosto já eu estou fartinha de férias, em Setembro ressuscito para a rotina da escola e isso salva-me da melancolia e da prostração doentia dos finais de férias em que não há mais que inventar o que fazer para ocupar os dias que demoram eternidades a passar; em Setembro vejo putos novamente, credo, como sinto falta de os ver; mais, quando regresso à escola até o maior corrécio me vem cumprimentar com a delicadeza do ser mais educado; é que eles estão também satisfeitos por me verem, é assim mesmo, podem passar o restante ano lectivo a engendrar formas de me massacrar que naquele instante, o contentamento é genuíno; e eu que refilo o ano todo que os gritos e os sons de dezenas de alunos a martelarem-me incessantemente a cabeça me matam de morte lenta e dolorosa dou por mim a desejar que esses sons me invadam a moleira novamente. Somos muito de rotinas mesmo aquelas que nos cansam, são as nossas rotinas; quando quebradas o meu corpo entra num modo de funcionamento ao qual tenho que me adaptar e por vezes leva tempo e antes que isso aconteça desorganiza-se e bate mal;instala-se o mal de férias e até que o organismo se organize novamente há ali uma fase meia estranha em que as férias não são desejadas; ou até são porque o corpo e o espírito pedem mas também temidas; depois tudo se compõe mas prestes, prestes e com a precisão de uma máquina o corpo diz-me, chega, chega de ferias, é demais tanta sorna, volta à rotina, dás-te bem com ela, precisas daqueles patifes a gritarem-te aos ouvidos " stora, que vamos fazer?" " stora, podemos jogar futebol?!" " stora, podemos-se equipar?!" a palavra " stora" dita até à exaustão, múltiplas vezes durante uma aula vezes 5 aulas vezes 5 dias da semana vezes o ano lectivo todo. É muita stora pronunciada  muitas perguntas sôfregas e em simultâneo, muita visão periférica para atender a bombardeamentos constantes, muitos pedidos e muitos resmungos e muitos protestos e muitas respostas, tortas, umas vezes inteligíveis  outras vezes grunhidas   onde pela entoação chegamos ao seu significado; o que não interessa mesmo nada neste principio de ano lectivo, não nos mete medo, a mim não me mete medo:  é um vicio, ensinar é um vicio, estes sacaninhas meias-lecas cansam-nos o corpo e o juízo mas viciam-nos o espírito  Como se uma esponja misericordiosa limpe todo o aborrecimento e problemas de ontem e fique somente o gosto por ensinar; só ensinar! 
   Outro dia fui a uma tourada a S. Mateus e vi, de enfiada, 6 alunos de uma turma de Oportunidades, a versão açoriana dos currículos alternativos continentais. Os miúdos das Oportunidades têm 15, 16 anos e para estudar rendem muito pouco, estão-se completamente nas tintas para as delicadezas da língua portuguesa e as complexidades das ciências e o passado da história que já lá vai; o que eles querem mesmo é ir pescar como já foram e vão os pais, serem agricultores para manobrarem tractores, elas cabeleireiras ou cuidarem de crianças; esses malfeitores de meia tigela, os dos mal afamados Bairros de S. Mateus e Terra-Chã fizeram-me uma festa enorme quando me viram; já se esqueceram das injurias proferidas e de como, alguns, me mandaram algumas vezes para o caralho! Não são de guardar mágoas nem afrontas, aqueles caralhos proferidos limparam qualquer réstia de ressentimento que a levarem com eles pela vida nunca nos possibilitaria encontrarmo-nos e ficarmos genuinamente felizes por nos vermos novamente! Perguntaram-me quando é que volto para a escola deles, disse-lhes que seria difícil regressar, perguntei pelos colegas ausentes, tudo de roda de mim de sorrisos abertos nos rostos e todos a falarem ao mesmo tempo; deram-me novidades e quiseram saber se gosto da nova escola. Uma verdadeira conversa, de perguntas e respostas, e risos a algum dito mais divertido sem pressas de nos irmos embora. Despedimo-nos com o prazer do reencontro inesperado, um até já entre pessoas que sabem, se irão sempre cumprimentar, eles com um " Então stora, tudo bem consigo?!" e eu " olha o meu ex aluno... há quanto tempo" e desse reconhecimento sair uma impressão genuína e calorosa.

domingo, 8 de setembro de 2013

É assim...

Hoje apetece-me falar de modas, aquelas modas que são seguidas por quase todos sem se darem conta e não falo propriamente de roupas e demais cenas de vestir mas sim expressões de oralidade que o português gosta de usar e mais, faz questão nisso:

   Não há nada que me deixe mais predisposta para ouvir do que um início de frase "É assim...". Quem diz "é assim" prepara quem ouve, como que avisando que, o que irá ouvir, será importante, quantas vezes uma descoberta filosófica  profunda, uma verdade indesmentível. Por exemplo: Pergunta: " O que acha da crise mundial?" Resposta: " É assim, eu acho que a crise mundial é geral, atinge toda a gente e portanto acho mal...." Ou então:"É assim, não penso nada, penso que cada vez gasto mais quando vou ao supermercado e venho de lá com menos coisas. Está respondido?"" É muito possível que em ambas as situações quem as proferiu não perceba bem o que disse nem se o que disse faz sentido mas no entanto, pronuncia-la no início da frase já é indicativo de alguma opinião convicta e isso convence por sua vez quem ouve. É dita, também, por gente que sabe o que diz e que não anda a inventar o que dizer só para ter alguma coisa para dizer. No entanto é utilizada pelos dois grupos com a mesma convicção: quem diz " é assim..." afirma que é assim mesmo, não é de gaguejar, de indecisões ou inseguranças! É uma frase afirmativa, não inquisitiva, quem a diz pensa que sabe o que diz ou sabe mesmo e faz por o mostrar logo, não admite discussão, é assim e pronto! Esta frase é usada maioritariamente por mulheres na faixa dos 40 a 50,  e é nitidamente uma moda dos finais dos anos noventa, inicio do novo século e inacreditavelmente tem resistido a anos e anos e se já, não ouvida com tanta frequência, existem os seus indefectíveis utilizadores que se mantêm fieis à expressão, o que não deixa de inspirar alguma ternura.

   Outra expressão interessante usada no início das frases e que me merece referência pela alegria e vivacidade é a " não estás bem a ver!?". Esta frase , interrogativa e incrédula,  refere um facto acontecido ou a acontecer de grande relevância dramática para todos, emissor, receptor e terceiros! Não prepara o  ouvinte para grande dissertação filosófica mas sim para um facto terreno de grande piada, um acontecimento social hilariante muitas vezes de contornos ridículos, é assunto exclusivamente mundano! Quem diz " não estás bem a ver?!" quer mostrar a quem o ouve, que o que irá ouvir, é para lá de tudo o que este ouviu até então; pertence ao domínio da estratosfera, do bizarro, do surrealista e o emissor mostra tal facto, com a incredulidade necessária, "não estás bem a ver!?" é teatral e  dramático,  remete o que irá comunicar para o domínio da ficção cientifica, no qual tudo é possível! Esta moda é mais recente, pertence às damas e cavalheiros de idade adulta ainda jovem, é expressão mundana e optimista e encontra-se em uso corrente.

   
    E que melhor frase para terminar uma argumentação viril e veemente, do que a segura " Tá a ver?!" Não a versão completa " está a ver?! mas sim a versão abreviada que indica mais descontração mas no entanto sem deixar de manter aquela onda casual chic, com o toque requintado que confere o tratamento mais formal na terceira pessoa.  Se bem que estruturalmente parecida com a expressão número dois, nada ter a ver com ela: aquela inicia uma frase, prepara o ouvinte para algo extraordinário, esta pelo contrário, remata a frase, como querendo dizer " não é maravilhosa esta minha argumentação, não sou um ser extraordinário?!". Os nossos políticos de maior visibilidade e de classe comprovada, os poucos  que conseguem tornar o arroto inesperado num momento memorável de requinte usam essa expressão com a graça que só eles possuem!

   Há "montes" de tempo que utilizamos o " montes" para indicar uma noção de grandeza para qualquer coisa; Há uns anos atrás só diziam " montes" uns quantos, os mais ranhosos, os que se estavam para as tintas para a elegância linguística; hoje em dia é elegante dizer "montes", toda a gente diz montes, a própria palavra é redonda e cai a matar no propósito do sentido da frase. Há quem, para reforçar ainda mais a grandeza da coisa utilize a versão mais grandiosa do montes que é a montanha e portanto não é raro ouvir dizer " tens montanhas de opções para isso" mas é um grupo mais reduzido! O montes é instituído,  o montanha é para os freaks que não sabem manter-se num registo mais soft, para os exagerados!

    Lembram-se do "baril" de há alguns anos atrás, o "espectacular" de alguma conotação murcona ou do "porreiro" de triste memória? Ultrapassadérrimos! Mais a mais esta última alcançou uma fama de tal forma patética que ninguém com juízo se quer associar a ela. Alguém que pronuncie a suicidária frase "porreiro, pá!!" arrisca-se a julgamento sumário e  linchamento público! (*)
   Não, nada disso! Gente jovem e bonita agora diz " fantástico! " ou "fabuloso" ou os de mente mais laboriosa o "fabulástico". Os superlativos "giríssimo" ou  " interessantissimo", ficam sempre bem e reforçam o extraordinário da coisa.  Existe uma facção bem circunscrita que tenta ressuscitar o "estupendo" para aumentar o leque de opções e tornar a nossa língua mais rica.  Os de indole mais   terra a terra mas de alguma cultura citadina dirão " bem esgalhada a cena", "que cena altamente" ou mesmo " que cena marada" ou qualquer outra frase desde que meta a "cena". Se estiveram atentos, eu própria aplico a palavra "cena" logo no primeiro parágrafo, palavra que me parece intemporal e essencialmente jovem e "cool" ( não encontro a correspondente portuguesa que se possa aproximar decentemente à sua homónima inglesa por isso  a mantenho sem tradução).  A "altamente" aplicada isolada ou em conjunto também é de grande aceitação e permite expressões faciais e de entoação personalizadas; ninguém diz o seu "altamente" de igual forma do seu amigo do lado. Se vier socorrida logo de seguida, pelo "pá" fica uma expressão que significa muito para quem a profere ainda que na verdade não queira dizer nada! No entanto, para o receptor de tal frase, ouvir " altamente, pá!" é muito mais  relevante  do que ouvir " fiquei verdadeiramente impressionado com a forma como controlas o teu skate e o levas a produzir habilidades muito para além do skater mediano!"  Para além da já referida, palavras também muito utilizadas por gente actualizada são as expressões originais de língua inglesa como a "amazing", "great" ou a melhor de todas, "awesome", que eu própria tanto gosto de utilizar para referir algo mesmo transcendental, que nos enche as medidas, que nos transporta para o êxtase sensorial! Quem diz "awesome" já viajou para o hiperespaço e nada egoísta tem que partilhar esta onda zen com o próximo. Este "awesome" tem grande acolhimento tanto por surfistas e skateboardistas como por advogados e arquitectos, tudo gente altamente esclarecida, nas suas diversas ondas espirituais e morais. Aliás, o que todas estas expressões têm em comum, até a injustamente vilipendiada "porreiro, pá" é a grande generosidade existente, o sentido de partilha desinteressado com o próximo. É um código que todos conhecem, e que a todos faz sentir pertença de um grupo!
   
(*)  esta aversão global à dita expressão ainda toma maiores proporções e estranheza quando se pensa que um outro personagem, da mesma cor política, é certo de maior gabarito e estatuto mundial incontornável ( e ainda assim com a mesma incapacidade patética para línguas ) tornou a expressão "fixe", tão querida aos portugueses e vai-se a ver, não sei bem porquê!!