quarta-feira, 31 de agosto de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Contrastes...



Adenda ao post anterior - O Melro Preto

   Não era minha intenção, acreditem que não era! Não queria falar no Melro Preto, mas por uma questão de justiça e porque falei no outro, sabem, no Mitra, teria que fazer uma menção a este senhor, versão melhorada do primeiro! A Silveira é no verão o local social de topo, onde toda a gente que interessa ou que acha que interessa, vai para ver e ser vista! Quem nem costuma ir, por vezes passa a ir e ai, já se sabe, anda a controlar alguém ou quer que alguém em especial saíba que ele lá está. São movimentações complexas que para o comum incauto passam despercebidas mas, que para o autóctone batido nestas andanças é claramente percebido. Nada como ter um amigo terceirense perspicaz que te  introduza neste mundo complexo que é a sociedade angrense! Mas toda esta azafama social é sazonal, atinge o seu auge no mês de Agosto, quando a Terceira e a cidade de Angra em especial é invadida pelas chamadas "moscas de verão". Esta expressão maravilhosa, ouvi-a pela primeira vez dita pela minha amiga Clara e é verdadeiramente certeira. As moscas de verão aparecem normalmente em Agosto, vêm em torrentes massivas e enchem a cidade e a Silveira de rostos e corpos novos! São antigos residentes, familiares de residentes, amigos de familiares, amigos de amigos de familiares... toda esta movimentação enche a cidade de vida, dá nova cor, permite-nos ter ali, já, já ao virar da esquina, as caras bonitas da Caras ou da Flash! Organizam-se jantares para as moscas de verão, estes são decididamente os convidados de honra! A Silveira, já de si apinhada no verão, fica ainda mais apinhada e mais bonita, porque as moscas de verão são bonitas, tem a pronúncia da linha, a sua postura é cosmopolita, as suas exclamações são refinadas, até o bronzeado é mais uniforme, sei lá, têm qualquer coisa que as distingue dos comuns ilhéus!
   Mas... divago! Iniciei este post a querer falar no Melro Preto e acabo enrolada numa sucessão de ideias sobre as inefáveis moscas de verão! Contudo, um está ligado às outras! Explico-me:

   O Melro Preto é o garanhão de serviço da Silveira. É a personagem mais emblemática da dita para os assuntos ligados ao engate ou à tentativa de engate. O melro preto difere do mitra por vários aspectos: tem uma aparência agradável, apesar de já ter ultrapassado a meia centena de vida, é bem falante, educado e não eleva a voz; a abordagem é delicada mas igualmente eficaz! Fala sobre o tempo, fala sobre o mar, fala sobre as suas proezas natatórias, é adepto da ida diária ao caís dos soldados. Não faz perguntas demasiado intimas nem olha intrusivamente para o decote do nosso bikini! 
   O Melro Preto não se senta na toalha. No tempo que passa na Silveira, 10% é a nadar e 90% a tentar engatar. Vai andando pelo espaço, ora falando com um, ora com outro sempre com as antenas no ar e os olhos de águia em completa sintonia com todas as movimentações femininas. O melro  nota qualquer alteração, o seu olfacto fareja, a sua audição é apurada, não sofre de miopia e tem o sentido do tacto intacto! Consegue entrar com encanto num diálogo com uma primeira, acompanhar uma segunda com o olhar e ainda apreciar os trinados de voz de uma terceira. Nada lhe escapa! 
   O melro é um cavalheiro, é solicito e atencioso com as mulheres; não fala sobre politica ou futebol, assuntos que sabe iriam maçar as senhoras mas discorre perfeitamente sobre os efeitos das queimaduras solares, a utilidade dos cremes hidratantes ou mesmo a melhor forma de grelhar um peixe. O melro não tem opinião própria, lança o mote mas deixa que a interlocutora dirija o sentido do diálogo para aí, invariavelmente, concordar com ela. O melro é um conciliador de opiniões, nunca discorda ou, livre-se ele, critica! O melro vive para seduzir, nunca para arrediar!
   O verão é a sua estação preferida! No inverno, o sexo feminino é escasso e nem sempre da melhor qualidade, o Melro Preto sente-se defraudado e não engata com tanto entusiasmo! No verão, pelo contrário, sente-se em casa e a sua disposição é muito mais alegre! Vê-se na sua forma de abordagem, é muito mais criativo e inovador! Não vem com tácticas batidas de engate, supera-se a cada nova abordagem, os seus fracassos não o desmotivam, tem esta grande qualidade, é positivo e optimista! Não vê nele qualquer defeito, tem um amor profundo por si próprio, surpreende-se a cada investida falhada, fica perplexo com a aparente cegueira feminina mas não esmorece, é perseverante e tenaz!
   O Melro Preto não engata ninguém, no sentido tradicional do termo, raramente leva uma mulher para a cama, a sua média de engates concretizados é humilhante, mas este passaroco não quer saber, enquanto há vida há esperança e o melro é um batalhador nato, vive para servir o sexo fraco, ama as mulheres do coração, acredita que tem uma missão! Infelizmente é o único a acreditar!


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Mitra

   Conhecem aqueles seres tão extrovertidos mas tão extrovertidos que, conhecendo-te nada ou quase nada, de um acaso em que trocaram duas palavras contigo, em diálogo aberto com outras pessoas, esses sim teus amigos ,te vêm novamente, casualmente no mesmo local, no caso a Silveira, grande local de interlúdio social, se chegam   com grande à vontade perto da tua toalha, onde estás refastelado a ler um livro na paz do teu sossego, obviamente cheio de vontade de continuares assim - sozinho -  e começa a falar contigo com a naturalidade de quem te conhece há longa data, claramente marimbando-se para todos os sinais que transmites de alguma privacidade que precisas?! Pois é, a mim aconteceu-me hoje, como diz o meu filho João, tive um encontro imediato com o maior mitra que tive a infelicidade de conhecer. Mais do que mitra, um marmanjo de 47 anos de aparência essencialmente saudável e feliz que se veio a verificar, vive dos rendimentos! Assim mesmo, depois de despudoradamente se sentar, sem pedir licença,  a muito curta distância de mim (tão perto que daria, em querendo poder contar quantos pêlos tinha no peito) e me questionar sobre a minha vida, calhou-me perguntar-lhe o que fazia; parece que não faz nada, nem tem pai rico nem ganhou a lotaria! Vive do expediente que arranjou: depois de 21 anos a trabalhar na EDA (electricidade dos Açores) achou que já tinha suado mais do que a conta e assim sendo descobriu, para seu grande alívio que tinha um problema de coluna e vai de arranjar um médico que afirmou ser, esta abécula, incapaz para trabalhar. Está reformado por invalidez a receber 2700 euros!!!!!  
   Felizmente os meus filhos chegaram nesse preciso momento, ao que, agradecida, recolhi a tralha e desculpando-me preparei-me para zarpar, temente de ter que ser mal educada! Não me livrei contudo de  ser ainda ósculada nas duas bochechas e de um animador "espero ver-te em breve",  que um mitra a sério termina sempre bem tudo o que começa!
   Prometi a mim mesma que da próxima vez que regressar à Silveira, levo uns binóculos e lá de cima faço previamente o reconhecimento do local! 

domingo, 28 de agosto de 2011

Drawings

   Em final de férias, a gastar os últimos dias do dolce fare niente do mês de Agosto, começo a sentir-me inquieta, impaciente! A rotina das férias moí quando se está habituada à confusão da escola! Uma forma de me acalmar e que há mais de vinte anos não usava é o desenho! Confesso que quando resolvi começar novamente estava um pouco apreensiva; tenho noção exacta dos meus pontos fracos na técnica do retrato a grafite, género do desenho que sempre preferi e que me dá mais gozo. Gostaria de aprender mais porque, como em tudo, 10 % é talento e 90 % é trabalho (neste caso específico, técnica, trabalho, trabalho, tentativa e erro) - quando não se é verdadeiramente talentoso mas sabe-se o básico da técnica, a persistência faz o resto. Gostava de conseguir, por exemplo, fazer retrato ao vivo, em poucos traços captar correcta e expressivamente a alma de um rosto, sabendo que, em retrato vivo o objecto do nosso trabalho move-se, adquire novas expressões, arque a sobrancelha, treme as narinas, boceja e impacienta-se também!
   Aqui vão as minhas duas primeiras tentativas, uma quase acabada e outra ainda muito insípida!

  
   O meu pai - lindo de morrer, apesar de alguns pormenores que não gosto ( é de mim, não dele, que era de  uma fotogenia incrível!) consigo reconhecê-lo, numa foto típica dos anos cinquenta, quando os homens sabiam deixar-se fotografar!


     Laurence da Arábia, outro homem lindíssimo, com uma vida incomum e romanceada até em filme - de David Lean e protagonizada por Peter O'toole! Esta está muito inacabada, os pormenores do trajo estão a moer-me a cabeça!
   

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Uma casa qualquer nesta cidade...





Igreja de São Pedro

   Um mimo!








A Besta Negra...

... de Angra do Heroísmo!
 
    Revela-se por fim o mistério da estradas encerradas neste fim-de-semana prolongado: que trabalho de requinte! Que riqueza de ideias! Que leveza do conjunto! Uma dúvida me assalta, porém: será esta  a sua versão final?! Chegados a este ponto, de grande perfeição estética, porque não atrevermo-nos ainda mais um pouco e juntarmos alguma irreverência: bolas, riscas, ondas, quadrados, cores, ou sendo 3, um vermelho, outro verde e o último azul, simbolicamente seria uma mensagem forte! Sei lá,  tantas possibilidades...




O piquenique

   Feijoada caribeña da Marta, grelhados do João, bebida de todos nós! Boa onda, mergulhos pré e pós feijoada! O mar só para nós, a lua sempre presente,  cagarros impertinentes e arruaçeiros!