segunda-feira, 10 de outubro de 2011

incapaz de intitular

    ( se não vierem de mente aberta, por favor retrocedam!)  


 Aquela teoria de que os homens pensam que mandam porque as mulheres os levam a pensar assim, enquanto elas, as verdadeiras urdideiras, nos bastidores vão tecendo as malhas da trama, não funciona para mim;  o que resultaria bem era ter um homem que me fizesse pensar que eu é que mandava enquanto ele, gentilmente e imperceptivelmente  me manobrava; não me importava nada de ser manobrada desde que, efectivamente eu levasse a minha avante em situações de tanta importância (não estou a usar de sarcasmo!) como "eu conduzo o carro" , " eu faço zapping", " eu escolho o filme" " eu tiro a rolha"! Quero mandar em todas essas coisas, caraças! Não quero ser a senhorinha que condescendente, de sorriso maternal, encolhe os ombros e fica na fila de trás de todos esses prazeres da vida: gozo verdadeiro para mim é fazer o que os homens tradicionalmente fazem e  fazê-lo bem : menos duas coisas, uma de impossibilidade anatómica e outra de impossibilidade sensitiva: primeiro,  não quero fazer chichi de pé,  não me traz vantagem nenhuma, muito pelo contrário nem me vou alongar mais sobre esta questão; segundo, não quero ir para a cama com uma mulher (hoje em dia também já essa questão deixa de ser assim tão linear sabendo nós que há homens e homens e dos dois - não sei se me fiz entender); afirmo que já ponderei essa possibilidade, numa época em que andei particularmente desagradada com o ser masculino, engendrei até alguns cenários potencialmente eróticos  para me poder sentir e claramente daí não surgiu nada de muito excitante!
   De resto quero fazer tudo o que os homens fazem, mais, tudo aquilo que os homens pensam que são eles que devem fazê-lo dá-me logo uma vontadinha enorme de ser eu a fazê-lo! Não sei porquê, palavra que não sei... os homens têm nomes para isso " exibicionista", "machona" a expressão magnífica, epíteto tantas vezes usado contra mim " armada em esperta"! E sabem que mais, posso fazê-lo!  A parte menos engraçada disto tudo é que não tem piada nenhuma fazê-lo se não tiver um homem a ver e a tolerá-lo... ou não.  E raros são os homens que toleram mulheres assim. Eu própria não me tolero e sou eu, quanto mais eles! Entendo perfeitamente os homens (e as mulheres) que gostam que os papeis estejam bem definidos, em que os comportamentos deles e delas sejam os comumente definidos para o seu sexo, é mais simples, relacionalmente mais simples mas tão mais aborrecido, tão insuportavelmente aborrecido! 
   Talvez por isso estou sozinha, conduzo o meu carro, abro as minhas garrafas, vou ao videoclube da meo quando quero...e não tenho a porra de um homem para me dar luta nessas tão importantes questões de poder do relacionamento entre um homem e uma mulher! Nem tenho o desgaste, graças a Deus! 


   Ninguém disse que viver é fácil!
   

   
   


   

6 comentários:

  1. Esses estereótipos, cá em casa, não colam de forma nenhuma. Qualquer um de nós conduz, seja quem for que esteja no carro, é absolutamente como calha. Olha que me sabe muito bem poder passar o volante tranquilamente sempre que não me apetece levar o carro. As rolhas, em geral sou eu quem tira, é verdade, mas o comando, os filmes do clube de vídeo, sei lá que mais, é tudo muito partilhado.
    Ambos cozinhamos, ambos arrumamos a cozinha, ambos lemos histórias aos putos, ambos damos banho e mudamos fraldas.
    Eu tenho o exclusivo do berbequim, das reparações eléctricas, dos seguros e manutenções do carro, a Raquel tem o exclusivo (coitada) da roupa na máquina, embora eu também dobre meias e apanhe a roupa da corda se for caso disso. As limpezas e preparar tudo o que os putos precisam para o dia seguinte são também tarefas femininas.
    Enfim, apesar de finalmente sobrar sempre mais para ela, não temos "poder" sobre nenhuma actividade. Cá em casa davas-te bem (ou talvez te faltasse um homem propriamente dito :-))

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  2. obrigada Zé Maria, adorei o teu comentário, principalmente da ultima frase! :))))))))))))

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  3. Por falar nisso, já provaste o vinho do outro dia?
    Que tal?

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  4. ainda não! Ando ainda a vinho branco, não me apetece ainda tintos mas esta semana marchará!

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  5. Aproveito para acrescentar, ainda a propósito do post, que o Simão chama mãe e pai indiferentemente a um e a outro. Tanto faz. Como vês, cá por casa não há homens :-)

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  6. criança maravilhosa! Tu serás a excepção que confirma a regra!

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