terça-feira, 18 de outubro de 2011

Um simples sorriso!

   Ando com uma enorme falta de paciência  para mesquinhices e merdices! Fartinha daquelas pessoinhas que parece que existem meramente para nos lixar a vida ou pelo menos para a tornar menos tranquila. Um exemplo: sabem aquele gesto de impaciência que os polícias fazem quando, no meio do trânsito, nos mandam avançar e nos mandam andar mais rápido do que os nossos reflexos e o nosso jogo de pés permitem e se acaso não se é suficientemente rápido, nos brindam com uma apitadela colérica e mais um gesto de braço para nos mandar avançar e depressa?! Dantes cumpria obediente e evitava fitar o polícia cara a cara; hoje em dia faço-me de parva, ando devagarinho e se conseguir que o carro vá abaixo melhor; e não satisfeita em passando por ele ainda o olho desafiadora certa de ter conseguido uma pequena vitória! Um dia destes, baixo o vidro e arrisco de olhar angelical e sorriso encantador "senhor Polícia, um conselho, inspire fundo três vezes e conte até dez, comigo funciona sempre!"  , em pulgas para enfrentar a resposta!
Esses policias simpáticos que normalmente andam a fazer o seu serviço no início das manhãs à porta da minha escola fazem lá tanta falta como o Sr Silva  no Palácio de Belém,  e que não haja dúvidas, em matéria de trânsito quem manda são eles e mesmo que nós cooperemos, nunca é como eles querem; vejam:  parando na passadeira para deixar passar um miúdo que entretanto se aproximou da berma, levei com mais uma apitadela estridente nas orelhas porque quem manda passar, seja na passadeira ou não é ele... nessa ocasião lancei-lhe um olhar venenoso mas com o ar de bronco que tem não percebe modelações faciais do tipo subtil!
   Quem não sentiu já na pele atitudes de perversidade em funcionários de repartições públicas? Comportamentos altaneiros  e de algum desrespeito pelo  cidadão comum? Aproveitamento de algum ascendente mercê do seu contacto directo com o público para comportamentos de autoritarismo bacoco? Repartições de finanças, correios, bancos.... quando algum cidadão comum perde a sua prodigiosa paciência e se passa e fala e barafusta e perde a compostura que normalmente apresenta em locais públicos é ver todos os outros quase chocados com tamanha alteração da sua vidinha formatada e previsível. Normalmente ninguém vai em socorro de ninguém, podem concordar e concordam, tantos que acenam afirmativamente com a cabeça e iniciam diálogos com os vizinhos a quem relatam  as suas más experiências.   Não vos parece inacreditável como o português normalmente refila em voz baixa, perante a injustiça mas quando precisa de partir para a luta acobarda-se e hesita envergonhado? Quantas pessoas sendo ultrapassados sem pejo por um qualquer chico-esperto numa fila de uma qualquer repartição se insurgem e põem o prevaricador no seu lugar? Resmungos entre dentes são mais que muitos, na esperança que a mensagem chegue mas falar de viva voz, olhos nos olhos, tá quieto!

   Tenho uma certa incapacidade para cooperar borregamente com a autoridade, se não for com jeitinho! Gosto de gestos simpáticos e delicados! Sou extremamente permeável a gentilezas, com um sorriso conseguem tudo de mim, a grosseria gratuíta deixa-me ofendida e a injustiça da atitude atiça uma zona escura, muito escura algures nas profundezas do meu ser. O que gostaria mesmo era de ouvir o polícia da história exclamar "minha cara sra automobilizada(*), muito obrigado pela sua colaboração,  é através de exemplos como o da senhora que poderemos mudar mentalidades" ou o empregado das finanças me acolher com um sorriso franco e exclamar " Ora vamos lá a ver em que lhe poderemos ser úteis nesta maravilhosa manhã solarenga de 2ª feira!"  


Tão simples e contudo tão eficaz!


   






(*)uma palavra para a Associação de cidadãos automobilizados , uma entre as mais de quarenta mil associações de portugal com criatividade de nomenclatura  acima da média, só derrotada pela Associação Nacional de criadores de suínos de raças bizarras ou pela Associação Portuguesa de Photographia (assim mesmo!) 

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