sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Touradas à corda

   Fiquei surpreendida quando descobri que iria ter uma tourada à corda mesmo à porta de casa! Efectivamente ainda não tinha dado conta de nenhuma tourada na estrada principal da Terra-Chã, que passa pela minha casa! Fiquei entusiasmada q.b.; gosto deste tipo de touradas, não há sofrimento evidente associado ao animal. Obviamente teremos que esquecer que para cada tourada eles têm que permanecer algumas horas nas gaiolas entre recolhê-los no campo, a espera para terem toureados e o caminho de regresso aos pastos; esquecer também que irão ter uma corda bem grossa à volta do pescoço e irão ser puxados incessantemente, deixando-os no fim da sua corrida literalmente de língua de fora; esquecer que alguns houve (poucos) que morreram por acidentes diversos não facilmente previsíveis ( mais pessoas morreram nestas touradas à corda que touros).
 Normalmente estes animais são lidados nas ruas mais do que uma vez e vão ganhando manhas. Há casos de touros que ficaram para a história e livros se escreveram sobre esta manifestação popular tão  terceirense! O povo gosta do touro e gosta de ver a valentia de alguns corajosos a brincarem com o touro! Gosta de os ver fazer passes, usando guarda-chuvas e outros artefactos rudimentares. Criticam fortemente os pastores (aqueles que seguram o animal na extremidade da corda) quando sentem que não estão a conduzir o animal correctamente!

 Para mim, a graça das touradas não é só a adrenalina provocada por aquela massa de carne negra a avançar sobre nós mas principalmente o povo, os comentários, os gracejos, os sarcamos. O homem terceirense é muito irónico e usa a troça de uma forma superior! Para mim é delirante estar em cima de um muro de uma casa e ouvir os comentários de uns e outros! Se tiver essa oportunidade não a deixo passar!
   Após a festa na rua continua a festa em casa: normalmente faz-se comida para oferecer aos vizinhos e pessoas conhecidas: alcatras, batatas cozidas com malagueta, favas, pão de milho, muita cerveja gelada (os açoreanos são grandes consumidores de cerveja). As pessoas são simpáticas e tratam-nos por tu desde o início! A minha vizinha Maria dos Anjos, que não conhecia nem sabia que existia (idem para ela), depois de 10 minutos de conversa mandou-me entrar e aos meus dois jovens acompanhantes e encheu-me a barriga de boa comida! 

1 comentário:

  1. Bravo Bárbara, apanhaste o espírito, já és quase uma terceirense (cuidado com o excesso de cerveja e com os irónicos e superiores homens terceirenses) ;)

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