sábado, 21 de setembro de 2013

Os amigos " faz de conta que são amigos"

      Qualquer ser humano de estrutura mental dentro dos padrões reconhecidos como normais tem um grupo interessante de amigos dos quais não abdica; esses amigos são reconhecidamente imprescindíveis para a sua vida social que gostam de cultivar; é um ser gregário, é em grupo que se identifica e se sente bem; só os eremitas e demais seres de má catadura conseguem viver uma vida numa espécie de reclusão auto-imposta e se sentirem realizados por essa via, a da exclusão. Os restantes precisam de companhia. No entanto não andam por aí, propriamente, amigos a cair às resmas como gotinhas de chuva pelo que cada um, o melhor que pode vai seleccionando uns quantos, os que pode e os que deixam que possa. Por processos não totalmente compreendidos existem pontes entre algumas pessoas que lhes permitem aproximar-se uma da outra. Os critérios de selecção dos amigos são vastos, quase nunca inteligíveis e nem sempre de substrato sólido: muitos, superficiais até! Pouco importa! Feito o amigo e tendo essa amizade uma idade ainda muito frágil assegura-se o fortalecimento da amizade através de jantares, encontros, petisqueiras e cenas afins de consolo para o estômago,  um bom valor etílico a acompanhar a fim de acelerar o processo de amigação. Estes momentos tendem a desmultiplicar-se em variadas cópias porque é uma receita de comprovada eficácia: comida para a pança porque todos os dias se tem fome;  álcool para a pinha porque se liberta o espírito e se tende a ser mais amiguinho e portanto, mais predisposto para aguentar o outro, o que em circunstâncias sóbrias não haveria pachorra para tal;  companhia para a nossa insustentável solidão! Resulta infalível se não nos começarmos a armar em esquisitos! No entanto, em dez amigos que se faz só dois passarão da condição de amigos para a condição de Amigos, os outros serão amigos mas numa situação mais precária, com prazo: enquanto dois desses futuros amigos o serão para todo o sempre os outros oito amigos, o serão desde que as condições ambientais sejam as propicias.

Princípios fundamentais: 1º   Proibido dar secas, de qualquer tipo; 2º Proibida a critica pessoal; 3º    Proibida a discussão estéril susceptível de criar atrito; 4º    Proibida a tristeza e quaisquer sentimentos negativos que possam influenciar o estado geral do grupo;

Observados este princípios temos amigos e podemos jogar essa amizade da forma mais conveniente; os meses do verão serão aqueles onde a dança dos amigos terá mais impacto, rodam-se pelas casas de uns e outros e a vida social é de uma intensidade tal que se julga, por um  momento, não se terem nunca tido amigos como aqueles. Rapidamente se ultrapassa esse logro, é que não se consegue estar de cara alegre todo o tempo da nossa existência e para os momentos em que somos feios, tal sorte de amigos não serve, muito porque não está para isso. E a gente não quer!

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Bem visto... amiga, mesmo que distante...;) mas há uma certa comunhão nesta visão simultaneamente ácida e bem-humorada da amizade ;)

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