quarta-feira, 16 de maio de 2012

Take it easy!

   Ontem fui à farmácia a que habitualmente recorro, comprar um medicamento de venda livre que infelizmente não tinham na loja mas que o farmacêutico, solicito, iria averiguar da existência no armazém. Assaltou-me um dilema: esperar que telefonasse e aguardar a vinda do dito ou ir ali, ao virar da esquina, e entrar na farmácia do lado?! Dilema prontamente resolvido, não há escrúpulos de fidelidade que aguentem 4 farmácias todas juntinhas à mão de semear! Existem 7 farmácias nesta cidade: uma delas, dou-lhe o número sete  porque é a última a que recorro, está estratégicamente colocada perto do antigo hospital, onde toda a gente parava depois de ir às urgências ou às consultas externas - lembra-me aquela agência funerária grotescamente plantada a poucos metros da saída principal do hospital. Estratégia decerto eficaz uma vez que a encontro sempre com clientes,  um pouco como os artigos estudadamente colocados nas prateleiras dos supermercados; quem é que procura os produtos colocados inacessíveis a dois metros se tem produtos iguais, mais caros, ao nível dos olhos?!Pois é, a essa farmácia, recorria quem ia ao hospital e não queria ter que entrar na confusão da cidade! A mim algumas vezes me enganaram, não já que agora só a frequento se não tiver outra hipótese; os funcionários são, regra geral, antipáticos, com pouco jogo de cintura, com pouca visão periférica e a mim, um bom profissional que lide com o público tem que ter boa visão periférica.  Com grande satisfação minha, subitamente, a posição estratégica desta farmácia alterou-se, o hospital mudou de sitio mas no entanto ainda está situada numa zona de entrada da cidade e só esse facto a privilegia no número de clientes que a frequentam... infelizmente! 
   As quatro já faladas, agrupadas junto à Sé Catedral, estão tão pertinho umas das outras que devem bater o recorde de mais farmácias por metro quadrado em qualquer cidade de Portugal, quiçá do universo conhecido! Uma quinta, a mais bonita e imponente de todas, com um grande varandim em madeira escura a fazer as vezes de balcão e renitente a substituir os seus belos armários antigos por aqueles compartimentos/gavetas que tanto encontramos nestas casas comerciais, está situada na zona mais nobre da cidade, na Rua Direita e só lá vou porque gosto de olhar para ela, não que os empregados sejam especialmente simpáticos, simplesmente posso esperar pela minha vez apreciando a sua imensa graça. A farmácia número seis, é a ranhosa do grupo, foi enxotada para o fimzinho da Rua da Palha, junto à rocha e por estar ali, tão fora de mão não se renovou e é pequena e encafinhada no rés-do-chão dum prédio pequeno mas airoso. Algo me diz que ali só vai quem não pode ir a mais lado nenhum. 
   Para se ir a uma farmácia desta cidade, exceptuando as pessoas que vivem no centro e a ela recorrem a pé, utiliza-se invariavelmente a táctica de deixar o carro em plena via, em frente mas mesmo em frente da cuja, como se o facto de ir comprar medicamentos, quer o mais imprescindível quer a lima para os calos nos pés, seja uma questão de vida ou morte e o fluidez do trânsito passe para um sector secundário. Que importam as filas que se acumulam em plena rua da Sé e o caos que se instala, perante uma necessidade tão dramática. E nem vale a pena protestar, já se sabe, iremos ser mimados com uma resposta adequada e olhados com desdém pelos outros automobilistas, que na primeira oportunidade farão a mesma coisa. É um facto, os terceirenses estão sempre a fazer coisas muito importantes: parar o carro na via para ir à loja de ferragens perguntar se tem porcas número 5 é uma questão decisiva para aquele ser vivo pelo que todas as outras pessoas terão que ser solidárias e aguentar de bico calado; a expressão ofendida de um terceirense é algo a que ninguém se quer sujeitar de ânimo leve! Por inexperiência, já por duas vezes experimentei protestar, se da primeira me disseram " vai para a porra!", da segunda fizeram um revelador gesto com os dedos. O pessoal tem sempre pressa e exige paciência e compreensão! Que importa que o Alto das Covas fique intransitável na saída da escola primária, são pelas crianças que os papás esperam, e isso é prioritário. Procurar espaço de estacionamento?! Estão loucos, o tempo que se perde, chega-se o carro um pedacinho mais para a direita que com jeitinho cabem todos! 
   Os polícias olham com benevolência estas manobras, em grupos de dois e três passeiam-se com tranquilidade pelas ruas da cidade e assobiam para o lado; advertir, admoestar, mandar tirar carros de vias onde é proibido parar quanto mais estacionar? Que aborrecido!! É muito mais cómodo passar multas a infractores dos parquímetros, de preferência quando os condutores não estiverem por perto para não serem importunados com pedinchices lamechas e desculpas patéticas. Tudo o que der menos trabalho! Tudo se faz no sentido de abreviar o trabalho... para o próprio, evidentemente!

1 comentário:

  1. Quando cheguei a esta ilha resmunguei que me fartei com tal facto que via acontecer todos os dias sem excepção. Depois de ter sido ofendida diversas vezes, desisti! Até já quase me habituei. Aquela gincana que se faz cada vez que se passa na rua da Sé já faz parte do dia a dia, acho que já estranharia se tal não acontecesse. Mas uma coisa te digo, recuso-me a fazer o mesmo. Não paro no meio da estrada!!Não paro!! E isso dá trabalho, mas recuso-me a ceder à estupidez açoriana!!!

    ResponderEliminar