segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo?!

   

   O dito popular é uma grande treta! Qual será a relação de proporcionalidade entre aqueles a quem Deus apara e aqueles que caiem estatelados no chão? Haverá algum critério superior que escolha os que são agarrados ou Deus brinca aos dados? Quero muito crer que a cada sofrimento infantil exista uma explicação divina que a  nós, imperfeitos mortais não nos é permitido aceder. Só assim poderemos tornar a  nossa existência mais suportável, saber que alguém orquestra a nossa vida, de um forma nada aleatória! O contrário é inconcebivel! O viver por viver sem outro objectivo que não a existência física é redundante, vazia, deprimente. 
   O Gui, o benjamim cá de casa, estatelou-se ao comprido este fim-de-semana e não teve colchão de queda que o aparasse! Podia ser pior, dizem-me as pessoas bem intencionadas e inquietas por me aliviarem a preocupação. Imagina que tem sido num olho, imagina que... Pois, devo ficar efectivamente grata por ao meu filho só lhe terem saltado três dentes da boca, de se terem encontrado, de ter sido rápido o socorro. No entanto, porque será que tal constatação não me alivia?!
  Devia ser estipulado, por ordem superior, por decreto divino que às crianças deveria ser sempre posto a mão por baixo e não só de vez em quando. Que as elas, estariam sempre interditos sofrimentos, uma idade mínima a partir do qual, alguns tipos de sofrimentos ou contrariedades poderiam ser incluídas no seu currículo de vida. Uma especie de diploma onde atestasse que se encontram aptos a experimentar o sofrimento, um estágio de preparação para a vida adulta. Ao Gui, a partir de sábado ficou decretado que daqui até a sua idade adulta andará em bolandas em dentistas e com cuidados especiais. Nada de especial, dirão, pensa quantas são as crianças que passam por sofrimentos atrozes, por esse mundo fora! Bem que tento, palavra que tento mas nenhum deles é meu filho, filho é este que ficou com boca feito num oito e tem uma vergonha enorme de voltar para a escola, na quarta-feira porque não sabe o que os colegas lhe vão dizer, porque quer a aceitação dos seus pares e temem que estes trocem dele. 
   Se vai ficar traumatizado?! Não vai, é certo que irá ultrapassar tudo isto com uma perna às costas, porque apesar de pequeno é rijo e mostrou no fim-de-semana que tem estofo de campeão! Todos os pequenos que sofrem têm esse estofo, o meu filho não é diferente dos outros. Mas para quê ter que o demonstrar já tão cedo? Traumatizada fico eu com a evidência crua que , ainda que de sentinela a antecipar, a prever,a aconselhar, algumas serão as vezes que falharei as coordenadas e eles caiem mesmo ao lado sem que possa fazer nada a não ser lamber-lhes as feridas!


    Hoje chove estupidamente nesta terra açoriana e a minha disposição é sombria tal qual a cor deste céu! 









   

3 comentários:

  1. Eu, que tenho um pequenino que está sempre a precisar da minha mão por baixo, como já relatei amiúde, porque é a coisa mais desastrada que Deus ao mundo deitou, percebo a 100% o teu drama.
    Até eu, que não privo tanto quanto isso com o Gui, fico triste, sinceramente, por ele ter perdido 3 dentes. A verdade é que actualmente, os dentes artificiais são fantásticos e há imensa gente com dentes artificiais que vivem toda a vida sem qualquer problema. É pena, mas acontece. Bola para a frente. O Gui ainda ficará mais giro depois da respectiva reparação do que antes. Grande abraço a Gui e beijinhos à mãe. Não há-de ser nada.

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  2. Pois, já eu, não consigo ser assim tão otimista. Acredito que tudo se resolve, mas estaria desfeita se isso tivesse acontecido a um dos meus piquenos. Beijo grande para o Gui que é giro de qualquer maneira e para ti mãe... coragem!!

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  3. Obrigada Raquel e Zé Maria pelo vosso apoio!:)) Hoje a disposição é mais amena e a tendência é para melhorar. O Gui agradece e a mãe também! Beijos

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