segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sindroma do Domingo à tarde

   Efectivamente as putas das almôndegas da bimby estavam boas como o caralho! Foi de resto a única coisa que se aproveitou desta merda do feriado à tarde e se se chocarem com o meu vernáculo carroceiro fiquem desde já a saber que é o que mais me ocorre dizer nas tardes de qualquer feriado e que portanto não retiro qualquer palavrinha mais inconveniente. A tarde só começou bem quando enxotada a sorna insuportável de uma tarde obscura, dormida a ver se a coisa passava mais depressa, me resolvi a preparar a porra do jantar.  
   Sofro do síndroma do domingo à tarde e pior é quando o síndroma do domingo à tarde acontece sem ser domingo à tarde. É desonesto, faz-me sofrer dois dias na semana, o dia do verdadeiro síndroma e o dia do síndroma a fingir. Desregula-me todo o relógio sistémico, deixa-me prostrada e pronta a soltar imprecações! Dá-me para dizer asneiras, que querem, é assim que consigo escapar a esta tortura. O síndroma do domingo à tarde, surge pronto e traiçoeiro, mal dou a ultima garfada do almoço e preparo-me para me levantar. O embate é súbito e não há escapatória. Não há café com amigos, passeio higiénico ou filme a aguardar há meses que me faça esquecer o que aí vem. Quando penso em domingos à tarde só me lembro de relatos de futebol e pronto, basta isso para me agarrar aos cabelos em histeria. É como um daqueles pesadelos de infância, só que este é real! E que fazer se me dizem, já ninguém ouve futebol pela rádio, ainda parece que ouço os locutores, em frenesim doentio, circunstância que ainda pequena me deixava deprimida. 
   O domingo à tarde é tristonho mesmo quando está sol, é independente do tempo e no entanto teima em ser o momento da semana que passa mais devagar!
   Dá-me o sono nos domingos à tarde, não apetece abrir as pálpebras quanto mais mexer as pernas. O que é preciso fazer, porque todos os dias é preciso fazer alguma coisa, é difícil de concretizar, a cabeça não ajuda, o espírito anda disperso, a genica  partiu para parte incerta. Ali entre as 15 e as 17 horas, atinge-se o auge do desanimo absoluto. Olha-se para a casa em desalinho com indiferença e enxota-se  o gato dengoso sem paciência para lhe fazer festas. O trinado dos pássaros é ofensivo, não apetece ler, não apetece conversar, não apetece fazer nada. 
   E de repente, surge o jantar, no caso umas almôndegas maravilhosamente simples com um arroz de salsa, bebe-se um bom vinho e como por milagre o estupor do síndroma desaparece. Adapta-se o organismo à rotina, engrena finalmente em modo semana e presta-se a um bom filme, aguarda-se o último episódio do House com expectativa e sossega-se o espírito que andava inquieto.Fazem-se tréguas por uma semana.

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