quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Experiências golfísticas

   Uma hora e meia a bater bolas:  controlei bem o tempo, tinha que o fazer porque ainda tinha uma aula para dar, em Angra. O professor tinha-me dito " venha treinar um dia sozinha antes da próxima aula" e eu, bem mandada, quando quem manda sabe mandar, fiz o que me foi dito: saí das aulas, controlei o tempo entre a escola e o clube de golfe a fim de poder organizar a minha vida em dias futuros, e surge-me a primeira grande dúvida do dia: devoro ou não um duplo cheeseburger com batatas antes do treino? Argumentos contra e a favor, os últimos prevaleceram, sem grande esforço, mas condescendi num ponto: esquece o duplo cheese, é nessa fatia a mais que não comerás que se encontra toda a gordura que sabes irá direitinha para a barriga!!! Reconciliada comigo própria e com a minha gula surge-me a primeira ansiedade do dia: será que vou conseguir tocar, sequer, num raio de uma bola? será que consigo, tocando numa bola, pôr a maldita  a subir num arco decente? Será que terei toda a privacidade para fazer toda a merda que sei que vou fazer sem que ninguém esteja a observar e de ar imperturbável? Digo, muito mais irritante do que alguém a sorrir da minha falta de jeito, o riso sincero de alguém descontrai-nos e faz-nos bem, é haver alguém, ali perto, que se consegue manter de facies impenetrável mas que por dentro se está a desconjunturar a rir! Eu farejo esse tipo de pessoas e normalmente esse tipo de pessoas surge, cruzando-se comigo quando menos se deseja ( a velha teoria do Murphy, novamente!) Topo-as à légua, é impossível que alguém que me veja a fazer um drive não se ria, é na verdade inconcebível manter a impassibilidade na expressão do rosto!!  Desconfio desse pessoal, dos bem-educados, seres lacónicos e insondáveis que, a mais um movimento nosso, de pungente falta de jeito, respondem com um meio bocejo; são esses os piores, o que riem para dentro e que tão cedo não esquecem a figura que fizemos e que a vão comentar com os amigos; os outros, os de gargalhada franca já se expandiram naquele momento, não guardam nada para dizer depois.
   Ultrapassada mais essa barreira, surge a técnica propriamente dita: lembrar o que o professor disse, lembrar, lembrar, conjugar tudo, fazer um movimento fluído, continuo, relaxado. A pega do taco, a posição dos pés e dos ombros, a flexão dos joelhos, o movimento inicial, a posição da cabeça, o olhar da bola... toda essa informação, os neurónios a processarem toda essa informação, para que o movimento final saia correcto e ... raios me partam, eficaz! EFICAZ! O professor, coitado, aproveito para dizer que é muito boa pessoa ( ofereceu-me 3 aulas - penso que já percebeu que com o pacote normal de 5 aulas não vou lá), o professor, dizia, fartou-se de falar bem do meu movimento global, usou o adjectivo " perfeito" em algumas ocasiões: desconfio que utiliza essa expressão muitas vezes, uma espécie de rotina linguística, sem grande verdade intrínseca. Questiono-me: como pode ser um movimento perfeito que depois não tem eficácia? Ok, já consigo quase sempre bater na bola, por vezes a bola sobe, por vezes a bola vai dirigida mas na maior parte das vezes a bola vai rasteira, de viés e, deixando a melhor para o final, adopta uma trajectória perpendicular à trajectoria pretendida, e que entra, na verdade, no domínio do fantástico! Quando tal maravilha aconteceu hoje, pela primeira vez, o professor sentiu-se na obrigação de observar que, é para isso que servem aquelas divisórias entre os tapetes de treino no driving range, para que não se magoem outros praticantes sendo " comum entre senhoras e crianças que tais pancadas aconteçam"; fiquei a saber que tal pancada absolutamente antinatural e no topo das vergonhas pessoais de qualquer praticante de golfe é quase exclusiva destes dois grupos; tal explicação não me aliviou apesar da expressão de bonomia condescendente com que foi dita. 

  Uma hora e meia a fazer o taco raspar a alcatifa, a levantar pequenos pedaços de tees, antes de passar para a bola; boa pancada, continua, má pancada, volta a raspar alcatifa, volta a bater nos tees, passa para a bola...

   Ainda não é desta que saio vergada! Sou mais teimosa que um burro anão!

   

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