domingo, 4 de setembro de 2011

Alma de cigana!

   Tenho alma de cigana, personalidade meia irrequieta, revejo-me tanto no que canta o António Variações em Estou Além!

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só
Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só
Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
   Acredito que este meu estar é muito inato, existirá porventura um gene muito impaciente e inquieto que está presente no bolo genético que me coube em sorte, que moldou primeiro os meus pais e que, depois, mo transmitiram a mim: fez-me e faz-me ter vontade de não me fixar em lado nenhum e em qualquer lugar me sentir bem; apegar-me , com muita facilidade, às pessoas que fui conhecendo e com a mesma facilidade desprender-me delas quando assim teve e tem que ser; não fixar raízes muito fundas para me poder soltar quando for preciso. Mas... deixar a sementinha da minha passagem, sentir que fez sentido por onde andei, o que vivi e com quem vivi! 
   Poderei dizer que tudo começou com os meus pais, eles sim os grandes responsáveis por este fogo no rabo que me assalta com alguma frequência! Por contingências da profissão do meu pai, é certo, mas que criou alguma substância no meu espírito; recordo-me da minha mãe, certo dia, ter comentado comigo que, tinha contado ter tido à volta de vinte casas ao longo da sua vida. Posso aqui dizer que vou na minha décima sétima casa em  44 anos de vida o que dá uma média de uma casa a cada 2 anos e 4 meses!  Só aqui na Terceira, já tive quatro casas! Não gosto particularmente de mudanças nem faço isto por alguma tara inconfessável: procuro o ninho, o meu ninho! Simplesmente os bons ninhos são difíceis de encontrar. Também é certo que me apaixono facilmente por casas que não valem a ponta de um chavelho, para usar um vernáculo suave! Invariavelmente velhas, pouco práticas, frequentemente frias, cheias de cantos e recantos inúteis mas... oh Meu Deus, tão lindinhas, com tanta alma, irradiando tanta graça!!!!! Inútil enunciarem-me todas os evidentes defeitos, as inumeráveis desvantagens... se a primeira abordagem for de encantamento, tudo o que é mau ou potencialmente mau naquela casa, passa a solucionável ou mesmo engraçado, perfeitamente enquadrado com o espírito da casa; que interessa que a casa tenha frinchas nas janelas e portas que deixam passar o frio... é arejamento garantido todo o ano todo, o que só beneficiará a casa! Ter só uma casa de banho?! ...e daí?!  pff... mentalidade burguesa! Janelas e portas de madeira inchadas e empenadas?! Preço a pagar por manter os materiais originais, sacrifica-se  o conforto, salva-se a tradição... Enquanto dura o período de encantamento posso jurar a pés juntos que aquela é e será durante muito tempo, a minha casa, o meu lar! Passada essa primeira fase, vem o período em que aquilo que tinha tanta graça no início, passa a ser desengraçado e a dar-me algum trabalho (o que sabia de antemão que iria suceder, dado que não sou completamente irracional nas minhas decisões!). Continuo a gostar daquela casa e a investir nela mas, devagarinho e sem dar conta perscruto com algum interesse os escritos nas janelas ou dou por mim a pesquisar, novamente, sites de imobiliárias, mera curiosidade, digo eu para comigo, em jeito de desculpa! Dessa fase até à conclusão óbvia vai um passo que, pode demorar entre 4 meses a um ano!


    Que não se pense que não me irrito comigo própria com este meu traço de personalidade! Cansativo, absorvente, quase obsessivo! Tira-me forças! Dá-me forças, ao mesmo tempo! Carrega-me as baterias diariamente, desgasta-me   e deixa-me exausta! Faço tudo por impulso, a intuição é fundamental! Funciono por paixões, por espontaneidades! É um pára e arranca contínuo! Cansa, maça, moi...mas não mata! É como sei ser! Temo que já seja tarde para mudar!




  
(em relação à casa número quatro - novos desenvolvimentos serão actualizados à medida que forem surgindo)








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