sexta-feira, 30 de agosto de 2013

   Imaginem o seguinte cenário: um homem, uma mulher,pode ser uma mulher, um lugar publico, um café, um supermercado, um banco, uma repartição de finanças...imaginem que, subitamente, essa mulher que se conduz de uma forma absolutamente corriqueira, ocupada nos seus afazeres, mostra uma ligeira, no início, alteração de comportamento; algo imperceptível a principio, uma súbita mão que sobe ao rosto, que percorre a testa, alguma contracção no músculos da face, os lábios que se cerram, olhando mais atentamente, parece ansiosa; se sentada levanta-se num ápice,  o peito sobe e desce mais rápido como se atacada por uma comoção súbita, olha em todas as direcções, pode até tornar-se frenética, coloca a mão no peito, no rosto, no cabelo, demonstra grande intranquilidade; acaba por abandonar o que está a fazer e sai.

   O cenário mudou: estão dentro dessa mulher no momento imediatamente anterior à descrição que acabei de fazer: são essa mulher! Estão na vossa vida de todos os dias, em qualquer lugar, em qualquer momento do dia, da noite, nos vossos afazeres profissionais ou em casa, numa caminhada, a ouvir música, a dormir ou acordados; e acontece: algo muda, primeiro uma ténue e imprecisa sensação de alerta, logo seguida de uma onda térmica entre o calor abrasador e o gelo quase  absoluto que sobe algures, num percurso sempre igual que começa na base da coluna, sobe por ela acima e termina na base da nuca onde se dissemina pela cabeça causando a primeira tontura e a constatação  de perigo iminente! O medo e o terror instalam-se! Lá fora, o sol continua a brilhar, o mundo ainda roda nos seus eixos e os estranhos que passam por vós mantém as mesmas rotinas, nada mudou! No entanto, tudo mudou, a qualquer momento sabem que vão desfalecer, perder a consciência, morrer e ninguém vos vai conseguir acudir. Entram num mundo paralelo onde a vossa vida como a conheceram vai deixar de existir, têm a certeza disso, sentem isso! O vosso coração, por essa altura, está assustadoramente num ritmo insustentável, sentem as veias do pescoço a latejarem; uma necessidade imperiosa de saírem de dentro de vós, de fugirem, de procurarem saída, de fazer com que pare; se caminham, apressam o passo ou tornam-se indecisos no rumo a seguir,  se estão deitados é urgente que se levantem, saiem da  cama se estiverem já deitados e abandonam o vosso quarto; O Medo persegue-vos, acompanha-vos, não vos deixa respirar; tentam combatê-lo, expiram fundo, tentam relembrar as técnicas, o que leram e o que experimentaram e que deu resultado; no entanto, respiram demasiado depressa, sentem a progressiva dormência nas pernas e nos braços, sentem ser só uma cabeça e um tronco e nada mais; as tonturas tornam-se vertigens e sabem que é agora, é agora que desfalecem, que caiem redondos no chão e que não há ninguém se estão sozinhos; se estão acompanhados desesperam quem está convosco porque não vos entende, e se vos entende e vos diz " calma, respira, vai passar!" e se estiverem ainda em modo receptivo, respiram e por momentos julgam que o pior já passou... no entanto, têm descargas de adrenalina contínuas, o vosso coração bombeia mais sangue do que o necessário, a adrenalina que precisam para combater o perigo que o corpo julga precisar, não serve para nada a não deixar-vos mais aterrorizados; se estão a conduzir e já sabem, abrem os vidros do carro, batem-se de forma a que doa a valer, tentam estacionar o carro no primeiro buraco que encontram e saem porque vos atormenta o espaço fechado. Tentam raciocinar no meio do caos que é, por essa altura, a vossa mente; pensam, já aconteceu, já aconteceu, não é a primeira vez, nem a segunda nem a terceira, não será a última e o desenlace foi sempre  o mesmo, não morreram! Respiram em ciclos de 10 segundos, concentram-se só nesse procedimento, respirar devagar, tão devagar quanto a vossa concentração que por essa altura anda tão dispersa, conseguir; se estão em casa enfiam a cabeça debaixo de água e dão mais umas estaladas para quebrar o ciclo; com o tempo, percebem que há procedimentos que resultam; se não , enfiam um diazepan debaixo da língua e esperam que passe; e passa sempre. Se sentiram isso tudo e sobreviveram, perceberam ter passado por mais um Ataque de Pânico e aguardam o próximo, que sabem,  irá chegar! 

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