terça-feira, 30 de agosto de 2011

Adenda ao post anterior - O Melro Preto

   Não era minha intenção, acreditem que não era! Não queria falar no Melro Preto, mas por uma questão de justiça e porque falei no outro, sabem, no Mitra, teria que fazer uma menção a este senhor, versão melhorada do primeiro! A Silveira é no verão o local social de topo, onde toda a gente que interessa ou que acha que interessa, vai para ver e ser vista! Quem nem costuma ir, por vezes passa a ir e ai, já se sabe, anda a controlar alguém ou quer que alguém em especial saíba que ele lá está. São movimentações complexas que para o comum incauto passam despercebidas mas, que para o autóctone batido nestas andanças é claramente percebido. Nada como ter um amigo terceirense perspicaz que te  introduza neste mundo complexo que é a sociedade angrense! Mas toda esta azafama social é sazonal, atinge o seu auge no mês de Agosto, quando a Terceira e a cidade de Angra em especial é invadida pelas chamadas "moscas de verão". Esta expressão maravilhosa, ouvi-a pela primeira vez dita pela minha amiga Clara e é verdadeiramente certeira. As moscas de verão aparecem normalmente em Agosto, vêm em torrentes massivas e enchem a cidade e a Silveira de rostos e corpos novos! São antigos residentes, familiares de residentes, amigos de familiares, amigos de amigos de familiares... toda esta movimentação enche a cidade de vida, dá nova cor, permite-nos ter ali, já, já ao virar da esquina, as caras bonitas da Caras ou da Flash! Organizam-se jantares para as moscas de verão, estes são decididamente os convidados de honra! A Silveira, já de si apinhada no verão, fica ainda mais apinhada e mais bonita, porque as moscas de verão são bonitas, tem a pronúncia da linha, a sua postura é cosmopolita, as suas exclamações são refinadas, até o bronzeado é mais uniforme, sei lá, têm qualquer coisa que as distingue dos comuns ilhéus!
   Mas... divago! Iniciei este post a querer falar no Melro Preto e acabo enrolada numa sucessão de ideias sobre as inefáveis moscas de verão! Contudo, um está ligado às outras! Explico-me:

   O Melro Preto é o garanhão de serviço da Silveira. É a personagem mais emblemática da dita para os assuntos ligados ao engate ou à tentativa de engate. O melro preto difere do mitra por vários aspectos: tem uma aparência agradável, apesar de já ter ultrapassado a meia centena de vida, é bem falante, educado e não eleva a voz; a abordagem é delicada mas igualmente eficaz! Fala sobre o tempo, fala sobre o mar, fala sobre as suas proezas natatórias, é adepto da ida diária ao caís dos soldados. Não faz perguntas demasiado intimas nem olha intrusivamente para o decote do nosso bikini! 
   O Melro Preto não se senta na toalha. No tempo que passa na Silveira, 10% é a nadar e 90% a tentar engatar. Vai andando pelo espaço, ora falando com um, ora com outro sempre com as antenas no ar e os olhos de águia em completa sintonia com todas as movimentações femininas. O melro  nota qualquer alteração, o seu olfacto fareja, a sua audição é apurada, não sofre de miopia e tem o sentido do tacto intacto! Consegue entrar com encanto num diálogo com uma primeira, acompanhar uma segunda com o olhar e ainda apreciar os trinados de voz de uma terceira. Nada lhe escapa! 
   O melro é um cavalheiro, é solicito e atencioso com as mulheres; não fala sobre politica ou futebol, assuntos que sabe iriam maçar as senhoras mas discorre perfeitamente sobre os efeitos das queimaduras solares, a utilidade dos cremes hidratantes ou mesmo a melhor forma de grelhar um peixe. O melro não tem opinião própria, lança o mote mas deixa que a interlocutora dirija o sentido do diálogo para aí, invariavelmente, concordar com ela. O melro é um conciliador de opiniões, nunca discorda ou, livre-se ele, critica! O melro vive para seduzir, nunca para arrediar!
   O verão é a sua estação preferida! No inverno, o sexo feminino é escasso e nem sempre da melhor qualidade, o Melro Preto sente-se defraudado e não engata com tanto entusiasmo! No verão, pelo contrário, sente-se em casa e a sua disposição é muito mais alegre! Vê-se na sua forma de abordagem, é muito mais criativo e inovador! Não vem com tácticas batidas de engate, supera-se a cada nova abordagem, os seus fracassos não o desmotivam, tem esta grande qualidade, é positivo e optimista! Não vê nele qualquer defeito, tem um amor profundo por si próprio, surpreende-se a cada investida falhada, fica perplexo com a aparente cegueira feminina mas não esmorece, é perseverante e tenaz!
   O Melro Preto não engata ninguém, no sentido tradicional do termo, raramente leva uma mulher para a cama, a sua média de engates concretizados é humilhante, mas este passaroco não quer saber, enquanto há vida há esperança e o melro é um batalhador nato, vive para servir o sexo fraco, ama as mulheres do coração, acredita que tem uma missão! Infelizmente é o único a acreditar!


6 comentários:

  1. Apesar da tua descrição do ambiente social da Silveira ser relativamente divertida, pessoalmente não o suporto. A Silveira é excelente como local para tomar banho, mas aquela gente toda sufoca-me. Só de olhar cá de cima para aquele tsunami de queques, desato a correr e só paro em S. Bartolomeu. É uma boa motivação para os treinos.
    Julgo que não terei tido ainda o privilégio de conhecer essa figura.

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  2. A nossa Silveira, é só nossa no inverno! No verão é esquecê-la! Um dia apresento-te o personagem!

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  3. Outro dia descobri uma fotografia nossa bem gira, na Silveira. Hei-de metê-la no scanner para te enviar. Embora não corra tanto como o Zé Maria, tb tenho tendênciaa evitar tal poiso.Mas gosto de melros pretos,quase tanto como de pardais...dos literalmente emplumados,diga-se.Adoro aquele seu arzinho atrevido de quem é só pardo por fora. Escutam e atentam como poucos...tb seriambem capazes de fazer umas crónicas assim bem giras.

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  4. Por favor manda essa foto, estou curiosa! Tb curiosa de conhecer esse pardal emplumado quase tão interessante como o meu melro preto!

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  5. Estou nos Biscoitos agora.Kd for para baixo,envio-te a foto. E quanto aos pardais, não era metáfora.Acho mesmo piada aos pardais. Parecem putos espertos, assim uma espécie de capitães da areia.

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