segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Mitra

   Conhecem aqueles seres tão extrovertidos mas tão extrovertidos que, conhecendo-te nada ou quase nada, de um acaso em que trocaram duas palavras contigo, em diálogo aberto com outras pessoas, esses sim teus amigos ,te vêm novamente, casualmente no mesmo local, no caso a Silveira, grande local de interlúdio social, se chegam   com grande à vontade perto da tua toalha, onde estás refastelado a ler um livro na paz do teu sossego, obviamente cheio de vontade de continuares assim - sozinho -  e começa a falar contigo com a naturalidade de quem te conhece há longa data, claramente marimbando-se para todos os sinais que transmites de alguma privacidade que precisas?! Pois é, a mim aconteceu-me hoje, como diz o meu filho João, tive um encontro imediato com o maior mitra que tive a infelicidade de conhecer. Mais do que mitra, um marmanjo de 47 anos de aparência essencialmente saudável e feliz que se veio a verificar, vive dos rendimentos! Assim mesmo, depois de despudoradamente se sentar, sem pedir licença,  a muito curta distância de mim (tão perto que daria, em querendo poder contar quantos pêlos tinha no peito) e me questionar sobre a minha vida, calhou-me perguntar-lhe o que fazia; parece que não faz nada, nem tem pai rico nem ganhou a lotaria! Vive do expediente que arranjou: depois de 21 anos a trabalhar na EDA (electricidade dos Açores) achou que já tinha suado mais do que a conta e assim sendo descobriu, para seu grande alívio que tinha um problema de coluna e vai de arranjar um médico que afirmou ser, esta abécula, incapaz para trabalhar. Está reformado por invalidez a receber 2700 euros!!!!!  
   Felizmente os meus filhos chegaram nesse preciso momento, ao que, agradecida, recolhi a tralha e desculpando-me preparei-me para zarpar, temente de ter que ser mal educada! Não me livrei contudo de  ser ainda ósculada nas duas bochechas e de um animador "espero ver-te em breve",  que um mitra a sério termina sempre bem tudo o que começa!
   Prometi a mim mesma que da próxima vez que regressar à Silveira, levo uns binóculos e lá de cima faço previamente o reconhecimento do local! 

2 comentários:

  1. É por essas e por outras que não vou a tal sítio. Não suporto essa espécie de montra social que é aquela península artificial, por muito que gostasse de poder mergulhar naquelas águas. De resto, vimos o teu carro no estacionamento. Sabíamos que estavas por lá :-)
    Este calhau é mesmo pequenino!

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  2. Zé, vou cada vez menos à Silveira. Normalmente temos ido à Serretinha mas ontem quando lá chegámos o mar estava muito batido e o Gui, porque sabia que lá estava o André da Leonor, pediu para ir. A Silveira no verão é insuportável, quando as moscas de verão se vão embora é maravilhosa!

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