segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O Conas

A expressão " És um coninhas" aplica-se exclusivamente a homens, dizê-lo a uma mulher é uma redundância e não especialmente ofensivo. Aplicá-lo a um homem é outra conversa; nada é mais insuportavelmente irritante do que um homem coninhas. São aqueles seres miudinhos nos gestos e nas ideias, de tal forma herméticos que se inclinam sempre para um sentido e carecem de ginástica mental para penderem, por vezes, para o lado contrário. Há homens coninhas em todos os sectores da sociedade mas é no ensino que eles medram, como cogumelos numa floresta sombria. Os professores coninhas são os mais refinados dentro do género, porque sentem legitimidade no oficio para serem  uns verdadeiros conas. São chatos e compostinhos, seguem todas as ordens carneiramente, não levantam a voz e são sempre delicados. Existem numa proporção de 90% para 10%, sendo que os 10% correspondem a malucos da cabeça, cromos e afins, aqueles de quem toda a gente se afasta nos corredores  e os outros, os a quem disseram que era uma jogada inteligente e de colheita profícua ir para o ensino porque eram só gajas. São tipos inteligentes e sabem coisas, sabem mexer em papeis e dominam as artes informáticas. Dão bons diretores de turma, assessores de qualquer coisa, são fiáveis e profissionais. Competentes no seu ofício, não arriscam jogadas pedagógicas arriscadas, se lhes mudam a sala de reuniões ficam momentaneamente desorientados esquecendo que podem escolher entre mais 20 salas geometricamente iguais; nunca se ouviram numa gargalhada ao fundo do corredor, nem contaram uma anedota porca na sala de professores; levam marmitas etiquetadas com a comidinha que a esposa amorosamente lhes arranja.  Há muito que esqueceram as virtudes do exercício físico, os conas radicais nunca pegaram num cigarro, nos jantares de professores bebem água, dizem que o álcool a eles lhes provoca azia e eczemas no couro cabeludo. Observam-se na escola porque são poucos, saltam à vista apesar de quererem desesperadamente passar despercebidos, ajustaram-se a tanta estridência feminina e encontraram um nicho no qual sobrevivem. É como se elas, com o tempo, lhes tivessem sugado todo o espírito. Têm o mesmo efeito do que um ansiolitico com a desvantagem de não se poder dormir no local de trabalho.   

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