quinta-feira, 2 de outubro de 2014

   Há gente de coluna vertebral de tal forma flexível que consegue cheirar o próprio rabo e sendo assim aguentam qualquer merda, engolem sapos atrás de sapos porque quando deviam soltar verborreia, encolhem-se e na sua pequenez limpam as armas para mais tarde, quando o inimigo está de costas. Propagandeam-se como arautos de um carácter irrepreensível, donos de uma conduta moral sem mácula, gente de fibra e de substância, de valores sólidos e fidelidade inquestionável. São conciliadores, nunca dizem uma palavra que ofenda, nunca têm que pedir perdão a ninguém porque na sua condição de alma impoluta, nunca ofenderam ninguém, desiludem-se todos os dias com os seus semelhantes que, fracos, imperfeitos, irreflectidos, pecam constantemente por actos e omissões e sempre contra si. Relevam constantemente essas ofensas, sentem-se bem a levar pancada dos outros, são sofredores por profissão, resilientes na sua dor única. E são burros, muito burros e na estupidez de quem se julga destinado a uma existência sublime, são ridículos e não o sabem.

2 comentários:

  1. Já não sei como vim parar aqui ao seu blog e só queria dizer que já me diverti lendo umas coisas,essa da coluna vertebral flexível me fez lembrar tanta gente!!!!!Beijinhos

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    1. Obrigada Luciana, fico contente que o meu blog lhe produza esse estado de risota, é mesmo o que precisamos, rir! Quanto a esses seres, conheço uns poucos também! Foi em sua homenagem que escrevi esta crónica! Beijinhos

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