terça-feira, 10 de maio de 2016

Alegrias de quem ensina

   Já desesperei a explicar a um aluno que me disse "as pessoas têm o direito de dizer asneiras, se quiserem" que a sua afirmação é falsa; já testei a minha paciência a explicar a outros que não podem andar a roçar-se uns nos outros só porque estão a descobrir a sexualidade e o seu impulso primeiro é o de concretizarem o que apetece no momento; não é aceitável, meus caros, roçarem os vossos órgãos genitais no rabo de colegas do mesmo sexo ou outro. Assim como não é aceitável coçarem os testículos e puxarem o pénis para o lado porque ficou preso na cueca e o mal estar é grande; nunca é tão mau  quanto quem tem que assistir á cena. Não quero passar pelo corredor da minha escola e ter que assistir à introdução da língua do gajo na faringe da gaja. Dispenso que um rapaz de 15 anos refile, durante a aula, com um colega porque " acertaste-me com a bola nos tomates" e muito menos me agrada que o a resposta seja "sacode que isso passa". E ir na paz no Senhor e vem um tipo, no corredor, um fulano ainda sem pêlos a refilar para o outro " foda-se, larga isso, caralho". Não preciso disso. Assim, como não me apetece que haja um tipo a enfiar o dedo no nariz e a trazer matéria viscosa para fora enquanto eu explico como se faz um passe de ombro no andebol. Cuspir no campo sintético enquanto se joga basquetebol leva a que se termine a aula com a mão pegajosa; explicar esse facto ao gajo com catarro precoce é o mesmo que ensiná-lo a fazer ponto cruz. Se digo ao corrécio do 7º ano que apanhe o que atirou para o chão e ele me responde que não foi ele, comigo a olhar, não é conveniente torcer-lhe o braço ainda que apeteça; se digo a um grupo que aproveite o que acabou de colocar no lixo e apanhe o pacote de leite que está logo ali e me respondem que não foram eles a sujar, apetece dizer "fazes isso porque eu mando" e não " vá, melhora a tua consciência cívica e ecológica, a natureza agradece". Ter que ensinar boas maneiras e regras de cidadania é giro mas cansativo sobretudo se se explica essas regras aos mesmos. Com um desenho não vai lá, com o exemplo também não, um suborno não é bem visto, porrada é inadmissível. Toma uma merda de um comprimido a ver se acalmas.
Chamem-me amarga!







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