segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

   A lojeca da Worten no Modelo de Angra é de fugir e só lá entro sob protesto! Ou por especial pedido dos meus filhos. O meu filho mais novo tinha umas poupanças e quis ir comprar o seu presente de natal, o que me pareceu bem. Não conseguindo fugir ao inevitável lá entramos no sitio, repleto de gente e com uma alminha a atender. Nada no seu corpo evidenciava um andar mais rápido, um olhar mais acutilante para responder lesto às solicitações de uma manada de gente num domingo à tarde, muito pelo contrário. Dirigi-me ao funcionário e perguntei: não há mais ninguém a atender? Alguém para a caixa?! Olhou para mim com olhos de quem olha e não vê, respondeu-me que o outro funcionário tinha saído para atender alguém dentro do supermercado (!!!) Parece-vos bem que num domingo à tarde, com um maranhal de gente a cirandar por ai, haja duas pessoas a atender e uma delas em parte incerta?! Olhou para mim com ar de quem ouviu mas não processou e encolheu os ombros retomando a sua empreitada, devagar, suavemente! A bufar de impaciência fui fulminada pelo meu filho do meio, como ele se intitula quando protesta, afirmando ser o mais negligenciado;  o filho de 14 anos que sente vergonha da mãe em quase todos os momentos em que lhe é dado conviver com ela em ambientes públicos " MÃE! Está calada!" voz sibilina para não dar nas vistas, ele que gostaria de ter uma capa invisível para usar nas raras ocasiões em que vê a luz do sol.  Ia já a abrir a boca a pedir o livro de reclamações mas fechei-a em menos de um farelo e protestei " estás a mandar-me calar porquê? não tenho razão?" Pergunta inútil, nesses momentos, os filhos não querem saber se os pais têm ou não razão, querem é que eles não os envergonhem e que se mantenham calados, que não armem confusão e principalmente que não possam ser  identificados com aqueles cotas arruaçeiros e estridentes! Olho em redor, em busca de socorro, para a carneirada que espera paciente, nem um sorriso cúmplice,  um piscar de olhos encorajador, um agradecimento no olhar, nada! Olham para mim como se olha para uma melga aborrecida e inoportuna!  Eram umas dez pessoas que se amontoavam no balcão, o funcionário do mês, de eficiência supersónica continuava a carregar botões de um teclado, só eu bufava, abanava as ancas, sujeita a uma apoplexia! Virei-me e disse baixinho " fiquem aí então, pacientemente à espera que o paquiderme vos atenda que tenho mais que fazer" E eles, filhos, impacientes por natureza, de tolerância zero aos erros constantes da mãe,  olham-me borregos e aguentam firmes na fila, tenazes como ferro  com  o que lhes agrada , corajosos como mártires e pacientes como santos! Apareceram  meia-hora depois, de rosto luminoso e de presentes na mão. 

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