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O Aliança

   Este ano inicio as aulas às 9,00 e essa circunstância abre-me horizontes nunca antes possíveis. Na impossibilidade de ir dormir a casa uma sestinha depois de  levar os putos à escola às oito e não querendo passar pela indignidade de ir dormitar o resto do tempo para o parque de estacionamento da escola como um cão abandonado, tornei-me frequentadora de cafés. Para fazer tempo, para me integrar no espírito da cidade, para cuscar um pouco, para observar. Comecei pelo People, na rua direita, tem uma empregada gira e espevitada mas sempre mortiço às 8,00 tirando o senhor sem-abrigo que marca o ponto religiosamente, a fumar o seu cigarrito, subitamente famoso depois do artigo que saiu no Diário Insular ( ou foi no União?!) sobre aquela associação de contornos suspeitos que quer erradicar das ruas quem nas ruas lhe apetece ficar. Parece que aquele velhote é um de poucos que dorme pelos cantos da cidade e isso causa transtorno a certas pessoas de es...
   Na minha escola como acredito que em grande parte das escolas deste país, metade dos alunos se não mais do que isso, está incluído num escalão máximo de ajudas do estado que passa pela gratuitidade das refeições e diminuição ou gratuitidade dos manuais escolares e transportes escolares/ passes. Outro grande grupo de população escolar pertence também a escalões onde pagam menos, por exemplo, 50 cêntimos por refeição.    Este ano, porque tenho tempo e disponibilidade, almoço pelo menos duas vezes por semana na cantina da escola; almoço junto com os alunos porque gosto de observar. O almoço de hoje foi: sopa de grão, douradinhos com arroz de tomate, salada de alface, cenoura e cubinhos de maçã,  maçã como sobremesa (duas qualidades à escolha) e um papo-seco (embalado individualmente). Água para beber. Preço por aluno sem escalão: 2,14€ com multa de 30 cêntimos se comprada no próprio dia; preço para professor: 4,27€ com multa se compra...

Festival AngraJazz - a reportagem alternativa

    Terminou o 14º Festival Angrajazz, o meu terceiro, cumpridos sempre os 3 dias do calendário, junto  dos mesmos amigos, a maioria dos quais que percebe mais de jazz do que eu irei perceber, mesmo que me afinque, até ao resto da minha vida. Consigo perceber se a música me diz algo, se mexe comigo, se me faz querer ouvir mais; consigo perceber se os músicos são virtuosos, bons instrumentistas, mas pouco mais. Nessa área não me meto! O que me resta falar, então?! Ai, tanto!     Três dias, seis grupos! Sala do auditório, do Centro Cultural de Angra! Mesas dispostas no centro, bancadas a rodeá-las.  O publico feminino, regra geral, vem vestido de forma cuidada, as senhoras de saltos altos e trajes elegantes ainda que não excessivos, os homens normalmente parecem uns pelintras perto delas. Cada vez mais desmazelados! Parece que ninguém acha já importante cuidar-se! Excepções para casamento e batizados em que se exagera ao contrári...

A casa da rua do Faleiro

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Rumo a S. Jorge - dia 6

   Alvorada bem cedo, comprar pão para o pessoal e descobrir onde tomar banho. É logo ali com uma piscina artificial junto a uma pequena enseada de rochas e onde forma alguns nichos de lagoinhas . Sem carro para nos levar aos seis e porque a ideia é descobrirmos as ilhas de fora para dentro, decidimos zarpar para as Lajes e descobrir a terceira vila da ilha do Pico.  São 15,30 e estamos a ir a uma velocidade de 6 nós e com um vento imenso a 27 nós. O barco normalmente inclinado a uns bons 45 graus e com o nosso skipper a ter que fazer algumas mudanças de bordo que obriga ao pessoal da cabina e equilíbrios constantes. Está tudo com um ar de aborrecimento e meio mareados. A Sofia, inacreditavelmente já vomitou o que a deixou mais bem disposta. O conforto nestas alturas não existe mas se quisessemos conforto tinhamos vindo de avião e ficavamos num hotel. A tarde está luminosa e a temperatura amena.   Da minha parte estou a apreciar cada momento.  

Rumo a São Jorge - dia 5

   Hoje houve mudança de planos; infelizmente o tempo estava instável e decidiu-se não nos mantermos no plano que tinhamos traçado de percorrermos a restante costa sul de São Jorge e daí zarparmos até à Terceira. Havia outras duas possibilidades: ou regressarmos de imediato à Terceira ou irmos dar um pulinho até ao Pico. Ninguém estava com vontade de regressar a casa pelo que se decidiu ir até São Roque, a única vila do Pico na costa norte da ilha e por conseguinte mais próxima de São Jorge. Após 3 horas de navegação a bater bem, com vagas jeitosas e muita molha pelo caminho chegamos a São Roque; infelizmente o tempo mantinha-se tormentoso e ninguém queria passar outra noite parecida com a segunda da Fajã de Santo Cristo pelo que decidimos que, já que estavamos ali porque não ir até à Madalena que tem um bom porto de abrigo. O Zé Carlos baixou as velas, ligou o motor e lá fomos nós, mais mortos que vivos, tudo a dormitar na cabina menos o nosso skipper que se manteve sempre i...

Rumo a São Jorge - dia 4

   Hoje foi um dia para descansar e passear. Não andamos para muito longe, usufruimos da vila das Velas, que é pequenina mas bonita, com uma igreja à sua escala mas um interior muito rico. O edificio da Câmara Municipal é robusto mas bonito, o jardim da vila é uma pequena delícia com o seu coreto vermelho e todo vedado com um gradeamento verde. As ruas muito limpinhas, as casas arranjadas. A zona balnear, Poça dos Frades, tem uma vista privilegiada para o Pico e o seu pico que hoje estava quase completamente à vista. Um tempinho para visitar o cemitério da vila onde descobri uma figueira a transbordar de figos, que papei sem contemplações. O almoço feito pela Sofia para terminar a manhã, bicuda frita com arroz de tomate, umas frescas e uns martinis pela tarde e uma sopa ao jantar para rematar. Cá nos encontramos nós seis, a jantar sopa inventada pela Sofia, uma mistela saborosa com multiplos vegetais a boiarem na água, que varinha mágica não há. A Sofia que já me está a lança...

Rumo a S. Jorge - dias 2 e 3

   Diário de bordo - 13,00 do dia 27 - ontem passamos o dia inteiro na Fajã de Sto Cristo. O dia não estava de feição e não havia rede para escrever blogues nem nada destas coisas modernas. Foi um dia de cansaço extremo com uma subida de meia hora até à cascata da fajã. Antes disso houve que ver onde trazer o bote até terra em segurança. Como as facilidades não acontecem em momentos de aventura, o motor do bore enxurrou e à força de remos chegamos a terra. Almoçamos na unica tasca da fajã e conhecemos o poeta, escritor e desenhador Emanuel que para além de todas estas qualidades também é bom comerciante e tivemos que entrar num bate-boca que como sempre, deixa os meus filhos muito envergonhados porque acham que eu falo demais e que tenho a mania que sou esperta. Um banho na caldeira para terminar e regressamos ao bote, uma corrente meia manhosa que nos fez ficar encharcados até aos ossos. A noite a bordo foi temerosa, uma ondulação que não deixou ninguém  dormir na sério...

Rumo a São Jorge

 Diário de bordo - 25 de Agosto ,21,30 da noite  e é noite cerrada. Estamos a duas horas de caminho de S. Jorge,vindos da Terceira, no barco à vela do Zé Carlos.  O Bonito apanhou bom vento a partir de meio da viagem e se no inicio se fez ao mar com a ajuda do motor, há mais de três horas que navega só com a ajuda do vento, que é para isso que deve servir um veleiro com orgulho de o ser.  O destino final é a Fajã de Santo Cristo, na costa norte da ilha. A lua em quarto crescente à nossa esquerda, dentro de uma semana temos a lua cheia, lua azul assim chamada por ser a segunda no mesmo mês. O barco corre agora à velocidade de 6,5 nós com rajadas de 18 nós, mas quando desligámos  o motor viemos a assapar a 10 nós. Apesar do vento a aragem é pouco agreste. Está toda a gente ansiosa por chegar, a Sofia e eu que desconhecemos esta fajã, os miúdos que já estão moídos de tanto mar. O João e o Gui enfiaram-se dentro de sacos-cama no deck do barco, o Vasco, diferente de...

Azares ... ou não! Uma questão de perspectiva!

       Hoje iniciei o dia com um furo num pneu; é bem feito porque tenho sempre a mania que consigo passar em cada regozinho de estrada; pimba, em plena cidade, no meio da azáfama do quase meio-dia, ouço o som insuportável do chiar do pneu a esvaziar furiosamente após ser trincado, sem apelo nem agravo num passeio, ali para as bandas da Praça Velha! Ainda pensei poder, muito devagarinho, chegar à casa do mecânico, no Pico da Urze (ainda em negação!), o nhanhac da jante a rolar pelo chão fez-me parar ali, juntinho dos Correios.     Como a idade sempre traz, aparentemente, alguma sabedoria, saltei a parte dos impropérios e da auto-comiseração que sabe sempre bem, do género" só a mim é que acontece isto", esquecidos que estamos de habituados a ver outros na mesma situação que nós, em lamentos iguais, dizia, ignorei todo o ritual que surge após o azar e parti imediatamente para a mudança do pneu , preocupada em chegar à Silveira, ainda da parte da manhã...

Silveira - actualização de verão

    A Silveira está ao rubro. Esta é outra Silveira, não aquela dos meus banhos no inverno, esta Silveira está apinhada de gente que só põe o pezinho na água se esta estiver em ponto de ebulição. Gente que precisa de sol, de preferência sem nuvens, que as nuvens moem com a sua disposição e os deixam a bater o queixo em risco de hipotermia. Habituais, indefectíveis defensores do banho durante o ano inteiro, alguns banhistas de mão cheia:   senhoras já bem entradotas, de boa postura e fina figura, com horror a molharem o cabelo, um fenómeno que me escapa, velhos de secas carnes, algo mirrados mas invejável condição física, que de verão ou de inverno se afirmam maravilhados com a água. Pessoas de tão habituadas  que estão destas andanças que fazem a distinção da temperatura da água, de dia para dia com precisão até às centésimas.     A Silveira no verão é um caldinho social onde convivem não se misturando gente muito diferente: de manhã cedo surgem as f...

A minha mãe

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       Um mês passou.    A minha mãe morreu num dia ameno de junho, o dia 19, nesta cidade de Angra. Era uma ténue sombra de si própria, um regresso progressivo e inexorável à sua primeira infância. Fisicamente definhou, tornou-se mais pequenina, perdeu a capacidade de falar, de se alimentar sozinha, de se alimentar depois. Eu era a senhora má ou a senhora boa conforme a sua disposição. Na minha condição de filha assumi a figura de sua derradeira mãe.    Preciso da minha mãe! Quero-a a reconfortar-me, a mimar-me, a limpar-me esta ferida, quero a minha mãe a passar-me a mão pelo cabelo e a dizer-me que está tudo bem! Quero que a minha mãe seja minha mãe outra vez!    São nove horas da noite, uma necessidade enorme de escrever sobre ela; quero que o tempo pare e que retroceda! Que retroceda a momentos em que era ela, a minha mãe, a fazer de mãe, que é para isso que as elas têm de servir, para nos socorrerem nas nossas aflições, abr...

Fim de semana em São Jorge - Calheta

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   Experiência engraçada esta de andar num barco semi-rigido para fazer o percurso entre ilhas! Ao nosso grupo de marchantes calhou o barco do João Medeiros, conhecimento de há 30 anos. Muito bom rever este colega antigo e desde já, muito menos atrevido como quando implicava comigo no liceu!    Foi um fim de semana relâmpago mas cheio de graça e acção, marcha, banhos de mar de madrugada, concertos de grupos locais com muito interesse, uns shots de vodka e absinto poderosos, convívio super saudável entre gente descontraída e boa onda. Naquele grande grupo seria porventura a 5º pessoa mais velha, andava tudo no inicio dos trintas, finais dos vinte!    Sem transporte e sem tempo ficamo-nos pela Calheta mas ainda deu para um passeio a pé até ao parque de campismo da Calheta e fazer uma visita rápida ao cemitério da vila.